Ainda que com uns dias em atrasado, coloco hoje no blog o relatório final sobre todo o trabalho realizado ao longo deste terceiro periodo. Penso ter respondido positivamente aos objectivos, pois em todos os textos tive em consideração o conteudo leccionado nas aulas e a vida quotidiana. Postei todas as entradas pedidas, maioritariamente derivam de situações veridicas ainda que algumas sejam reflexões ficticias criadas com base em conteudos observados. Arranjei vários temas do meu interesse e relacionei-os com a matéria das aulas, utilizei também contextos escolares e que aconteceram na própria sala de aula de português para trabalhar as postagens.
Afirmo, como já o tinha feito no relatório final do segundo período, a ideia de utilizar um blog para avaliação como um bom método de fazer com que os alunos se integrem na matéria e obtenham bons resultados nos testes. Com o blog desenvolvi capacidades a nível da escrita que desconhecia ter, e ao trabalhar conteudos do programa e relacioná-los com o quotidiano fui quase que obrigado a interagir com a matéria de uma forma muito próxima. Sempre que escrevia um textos pesquisava antes sobre qual seria assunto do programa que se adoptaria melhor à temática quotidiana que escolhia. Utilizei o blog como método de estudo e como forma de aquisição de cultura sobre temas vastos, entre eles a leitura de textos escritos por José Saramago no seu blog.
Esforcei-me e empenhei-me para entregar os textos a tempo, ainda que alguns deles tivessem chegado com alguns dias de atraso. Apesar disso e com a conclusão do ano lectivo, afirmo o meu trabalho não só no blog mas também nos conteúdos intra-escolares como progressivo. Melhorei as minhas capacidades e isso reflectiu-se nas notas e no modo como escrevo, como reflicto sobre as coisas e como abordo os assuntos.
Com o final do ano mesmo à porta, apenas me resta deixar um obrigado e desejar boas férias à nossa atenciosa Professora Risoleta Pedro.
sábado, 30 de maio de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
Espaço Psicológico - Recta Final
Em "Memorial do Convento", Saramago mistura espaços físicos com espaços psicológicos, modifica pontuações, faz críticas sociais, é sarcástico, ridiculariza situações e personagens e por meio de ironia muitas vezes escreve.
Crítica ao que sinto agora não faço porque sei que irá compensar; triste não ando, mas cansado estou. Comparava-me com Saramago se dissesse que o meu espaço físico não se tem confundido com o espaço psicológico. Estaria certamente a ser irónico. Preenchido de confusões estou, na recta final caminho. Lágrimas já cairam por ter de "deixar" o que conquistei e me conquistou durante três anos. Influenciado por uma subrecarga de trabalhos escritos, orais e visuais o meu espaço psicológico invade o físico sem eu dar conta ou poder evitar. Há um tempo que já não sei o que é abstrair-me da escola e em nada pensar. Fisicamente estou sentado a escrever este post mas psicologicamente estou baralhado, triste, confuso e incerto perante o que ai vem. Não sei como vai ser, quem vou ter comigo, quem vai ficar e quem não vai. Design e classificações deixam-me triste pois um sentimento de partida e de "perca" lhes está associado. Tento não pensar, abrir os olhos e ver o brilho que já vi. Ele está cá, anda perdido, um ciclo está quase terminado, muitas recordações deixou. Um novo ciclo começará e para trás fica uma recta final complicada. Não sei quantas rectas finais terei, não importa para já. Guardar tudo não é final é certeza.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
45 minutos de leitura silenciosa em Memorial do Convento
Entra "El-rei", o silêncio que toma conta do palácio, príncipes e fidalgos apresentam-se de os olhos colocados nos livros, atentos, não reagem perante a presença imponente de D. João V. Sem barulho, como que se o palácio ninguém tivesse, injustiças são reflectidas, o rei é desrespeitado. Ninguém olha, ninguém venera, só as linhas compridas de livros proibidos são fervorosamente devoradas durante quarenta e cinco minutos intermináveis. Todos cumprem à risca o programado, El-Rei difama sozinho e continua com a ridícula construção da Basílica de S. Pedro. Furioso, deita abaixo os alicerces de toda aquela maqueta trabalhada. No palácio o estrondo é ouvido, mas como se nada fosse ninguém se move, ninguém respira, ninguém corre em auxílio do rei. D.João V como vários alunos da António Arroio não saborearam o momento, ruídos eram ouvidos nos corredores ainda que por breves instantes. Uma sala repleta de livros e silêncio, lábios quietos, apenas o virar de páginas era ouvido. Senti que no silêncio encontramos algo que raramente procuramos. Concentrados em páginas breves ou longas, percorremos e saboreámos segundo por segundo aqueles quarenta e cinco minutos de algo que parecia à partida impossível. Li um excerto sobre "A Profecia Maia" relativa a 2012. Embora que concentrado nas linhas quisesse ter estado, não consegui. O silêncio, os giz parado, o aristo na mochila, o compasso guardado e a professora a ler Mia Couto levaram-me para outra dimensão, longe de tudo, longe da sala de geometria, longe de todo o trabalho que temos de cumprir. Durante quarenta e cinco minutos em nada pensei, profundo fui e sobre o que li ainda não sei. Fragmentos sobre 2012 ficaram, mas da experiência ficou ainda mais. Concordo plenamente com a ideia e repeti-la deveríamos mais vezes. Pode ser que da próxima El-rei e quem não aderiu à ideia se junte e perceba que para além de linhas e letras os livros dizem muito mais...
domingo, 10 de maio de 2009
Dicionário da origem das palavras

- Pára Filipe! Estou concentrado a fazer o último relatório do ano, não quero baixar a nota, sabes disso mas continuas.
Parámos e estáticos ficámos a olhar para a "chefe" Risoleta. Fomos observados segundos que pareciam minutos, olhos severos e descontentes provocádos pela interrupção que causámos estavam abertos sobre a mesa menos ensonada da sala. Eram oito e quarenta e cinco da manhã e o sono juntamente com o tão cultural Dicionário das Palavras tomavam conta de uma das últimas aulas leccionadas à turma 12H na António Arroio.
Ficámos calados e percebemos o olhar, virámos a nossa atenção para palavras como "Abracadabra" que nos entretinham e nos levavam a reflectir sobre uma relação linguística e simbólica entre o dicionário e o Romance Histórico. Inicialmente não percebi a importância da leitura de um dicionário das palavras, não entendi o quão relevante poderia ser o significado de uma palavra banal inserida num contexto histórico e literário. Várias aulas passaram, vários "Filipes" me desconcentraram enquanto vários significados de palavras eram lidos. Percebo hoje que escrevo o relatório e que estou focado num só objectivo, o de ter boa nota, que Blimunda não abre os olhos sem comer em vão. Por trás de tudo isso há palavras, expressões e verbos que traduzem toda uma simbologia. Hoje também estudo para o teste, pena tenho de ter falhado na recolha de informação e relação linguística de palavras com o tema estudado na disciplina. Certamente com mais atenção os apontamentos que tenho agora redigir para o teste de Terça-Feira seriam mais elaborados. Triste não fico porque sempre o fiz, mas prometido está que palavras misteriosas do Dicionário não me escaparão mais até ao final do ano. Mesmo com o Lipe ao meu lado.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Saudades tenho de Pessoa

No estojo encontro papelinhos, vários assuntos estão escritos e tratados, apenas um me trás saudade. Sem que gozes não vives está escrito numa dessas folhas, de Pessoa me recordo e viver em primeira pessoa deixa de fazer sentido. Ricardo Reis mas principalmente Álvaro de Campos e a excentricidade e a exaltação pela máquina me invadem. Sou Campos agora e edificar um Convento como o descrito por Saramago vou. . Construi-lo, será simples com toda a tecnologia que disponho; homens a carregar pedras? Não, nada disso! O mundo é bem mais terra a terra. Saramago, evoluímos! Já não há Autos-de-Fé nem Passarolas. Existem aviões e tecnologia. Vivo a máquina, vivo no futuro e acordo. Volto a ser eu mas Mafra e os seus campos deslumbram-me, encanta-me tanto gado e milhares de homens a edificar tal monumentalidade. Vejo só isto e fico maravilhado, recordo tudo o que na minha aldeia vivi. Caeiro como nome tenho e não me canso de olhar e ver apenas isto. Se no meu tempo a Mafra tivesse ido, muitos esquiços conventuais, na Brasileira ou café semelhante, teria escrito. Nunca soube ao certo quem fui! Quem sou ainda me baralha. Escrevo sobre um Convento e não percebo. Ópio e vodka são o meu refúgio. Inteligente talvez seja, não sei bem. Sou fragmentado e agora só me recordo de uma frase: Tenho saudades das páginas Pessoanas que nos colavam ao manual de Português durante um período lectivo.
Regresso ao Eu, sem heterónimos nem complicações. Dobro os papelinhos e volto a colocá-los no estojo. Mesmo fechado a frase "Sem que gozes não vives" de Ricardo Reis ainda deixa em mim saudade.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Relatório (intermédio) - 3ºPeríodo
Sendo doze as entradas a fazer no blog ao longo deste terceiro período, penso que estou a ir pelo bom caminho. Tenho cumprido com a postagem de duas entradas semanais ainda que no inicio do período me tenha atrasado uns dias na colocação dos post e assim falhar com o cumprimento dos prazos. Considero este dado pouco relevante pois até à data coloquei já, as seis entradas que correspondem às três primeiras semanas do período. Ao escrever estas entradas, estive mais atento em fazer uma relação mais notória entre o quotidiano e os conteúdos leccionados nas aulas. Na concepção dos textos não me preocupei exclusivamente em relacionar bem as temáticas sugeridas pela professora, preocupei-me também em não escrever só sobre o tema fulcral que estamos a trabalhar nas aulas (Memorial do Convento de José Saramago) mas também sobre temas com menos relevância tratados e trabalhados durante as aulas como o "Dicionário da Origem das Palavras" e "Os Cadernos de Lanzarote". Utilizei como fonte de inspiração o blog do escritor José Saramago. Neste encontrei temáticas banais, histórias privadas e o mundo em geral tratado de uma forma literária muito própria e caracterizadora de Saramago. Com uma linguagem corrente e acessível este blog têm-me inspirado para redigir textos e relacionar as temáticas de modo a que sejam coerentes. Redigi textos muito próprios em que exprimo emoções e falo sobre acontecimentos reais como o texto "Lanzarote e Arrifana" e "Surf + tempo histórico hoje". Escrevi ainda sobre temas mais abrangentes e falados como o texto "Nobel de Saramago ". Relativamente ao período anterior e apesar de termos ainda mais trabalho acho que os meus textos adquiriram um carácter mais pessoal do que no período passado. Trabalho com mais tempo os textos, preparo-os com mais paciência e escrevo realmente o que sinto. Procuro histórias reais, uso metáforas e comparações para traduzir não só um significado mas para o leitor encontrar e reflectir uma posição a tomar perante o textos. Do blog, faz também parte, um trabalho de casa. Está presente nesse trabalho uma reflexão sobre música Barroca.
Considero positivo o resultado do blog até agora, vou cumprir com o resto dos prazos e continuar a empenhar-me para melhorar a minha performance a nível da relação da temática. Não tenho encontrado dificuldades em escrever sobre temas que sejam do meu interesse e que se relacionam com o conteúdo das aulas. Não sei ainda se o blog entrará na minha avaliação final pois vou fazer os dois testes. Dependendo das notas que tiver, decido se a minha "caixinha de pensamentos e desabafos" contará.
Considero positivo o resultado do blog até agora, vou cumprir com o resto dos prazos e continuar a empenhar-me para melhorar a minha performance a nível da relação da temática. Não tenho encontrado dificuldades em escrever sobre temas que sejam do meu interesse e que se relacionam com o conteúdo das aulas. Não sei ainda se o blog entrará na minha avaliação final pois vou fazer os dois testes. Dependendo das notas que tiver, decido se a minha "caixinha de pensamentos e desabafos" contará.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
TPC (Música Barroca)
Para uma corte da época barroca fui arrastado. Num ambiente festivo, em que o exagero, o luxo e o requinte de um salão de bailes que é caracterizado pela musicalidade de Domenico Scarlatti, agora mora o meu interior. Vestidos longos, laçarotes, danças complexas, olhares discretos, empurram-me para onde não quero chegar. Scarlatti toca e conforta-me, toma conta de mim e faz com que seja levado pela música até onde ela me deixar ir. Para lá do esperado fui, com D. Maria Ana dancei, o orgulho da vida estava estampado no meu rosto, memórias imponentes vêm-me à cabeça, sento-me e tudo o que é festa me passa ao lado. Descubro lapsos no meu inconsciente mas ergo a cabeça e volto ao salão.
Ao ouvir a sonata de Domenico Scarlatti, entrei rapidamente na corte de D. João V, toda a graciosidade e luxo me ocorria em pensamentos. A musicalidade traduz mais do que sons, leva-nos a entrar em ambientes e a criar emoções. Alterações de pensamentos e espaços físicos também se modificaram consoante as teclas pressionadas. Senti várias coisas ao mesmo tempo, boas que eram interrompidas por más, mas sobretudo boas. Fui levado ainda ao tempo de Catequese, coro de igreja. Musicalidade e intuição musical, não são das qualidades que melhor me definem, tenho uma opinião bastante própria sobre música e sobre o que sinto quando a ouço. Guardo para mim, pois só eu o sei.
terça-feira, 5 de maio de 2009
A mão de Baltazar

Passeio na rua e depáro-me com pessoas normalissímas mas que por azar são fisicamente debilitados. Não olho com pena pois acho que não é a posição que se deve adoptar. Penso e claro que me pergunto como seria se algo acontecesse com o meu corpo. Como reagiria perante o mundo "gozão" e incompreensível em que vivemos. Ambicionar e ver um sonho estragado por algo que não controlamos é triste e leva certamente a desesperar. Não sei bem do que escrevo mas Saramago a ajuda-me a ter uma opinião critica positiva com passagens como "A mão de Baltazar é rude e forte como ele". A derrota inicial de Baltazar não venceu à vontade de Bartolomeu. Baltazar rendido e pouco motivado viu posteriormente um objectivo alcançado. A Passarola voou mesmo com um gancho na mão. Certo para mim é que os sonhos se adaptam à realidade de cada um, para mim é obvio que não vou sonhar ser médico se média não tiver para entrar em medicina. As debilitações físicas não são destruições de sonhos nem maneiras de desistir de viver, são acontecimentos reais, infelizes, que nos fazem ver o mundo inicialmente de uma maneira negativa mas que com força de vontade e busca de novos interesses conseguem ser ultrapassados.
domingo, 3 de maio de 2009
Lanzarote e Arrifana

Em Lanzarote Saramago mostra ao mundo fragmentos de uma experiência de vida, em Memorial do Convento expressa uma vontade, a da Passarola e o Padre Bartolomeu voarem. Nas aulas lemos excertos onde o contexto histórico, a época e os costumes estavam explícitos. Escreve sobre o passado em ficção, sobre o passado verdadeiro e sobre o presente. Não sou escritor mas feliz fico por poder escrever também fragmentos sobre o meu passado, presente e futuro. Não construí uma Passarola mas voei, fiz planos antes de partir que foram superados com uma partilha de amizade entre dezasseis "monstros das bolachas" que fizeram de mim e da Arrifana as pessoas mais felizes. Estava rodeado de Fidalgos, Duques, Reis e Duquesas que não me ajudaram na construção de uma maqueta da basílica de S. Pedro mas que edificaram mais que um Convento de Mafra. Autos-de-fé não fizemos mas houve quem "morresse", eu morri , mas a minha morte está guardada em mim. Não dormi em camas, praia, terraços e chão chegaram para descansar e estar sempre pronto para o dia seguinte. Acordaram-me com panquecas e gelado, fui o Rei D. João V por dias. Senti tudo em oito dias, já passaram uns meses mas a chama ainda está acesa. Orgulho-me de ter a turma que tenho e prometido está que nada será esquecido, que tem todo o significado, significado esse que com o passar do tempo não desaparece, aumenta. Vivi tudo, se para Lanzarote fosse escreveria um caderno onde cada pormenor seria minuciosamente tratado. Não vivendo ainda na ilha escrevo apenas recortes do que foi uma das semanas mais felizes da minha vida.
Lisboa, 2009
sábado, 2 de maio de 2009
Nobel de Saramago

Deitado na , antes de entrar nas minhas reflexões inconscientes, escrevo por palavras meias o que outrora já tinha sido escrito. Em cima da mesa da sala, a revista Visão e uma entrevista centrada no Nobel de José Saramago captam a minha atenção e obrigam-me quase a levá-la na mão até à cama. Bastaram quatro parágrafos para que fosse obrigado a fechar a revista e a abandonar a leitura; já tinha adquirido informação suficiente para perceber todo o significado, orgulho e prestígio atribuído a mais um dos grandes escritores Lusos, este com a atribuição do prémio Nobel da Literatura. Traduzido em múltiplas línguas, com idades já de senhor continua em busca de sonhos, escrevendo memórias e reflexões em livros como os cadernos de Lanzarote. Apesar de uma iniciação como escritor numa fase já tardia da sua vida, Saramago deslumbra através do seu estilo literário. Sonhou desde pequeno e conseguiu ver publicadas várias obras relevantes a nível mundial. Com isto e sem conhecer ainda todas as linhas de uma entrevista com cerca de quinze páginas, adormeço com a ambição de sonhar e descobrir capacidades, com a necessidade de perceber se mesmo velho terei motivação, iniciativa e vontade de ser o que Saramago sonhou.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Surf + tempo histórico hoje

Prancha na mão, mochila, barbatanas amarradas e com o Francisco bem disposto a gritar IUHHHHUHHHH, saio em Mafra para apanhar o autocarro com destino à Ericeira onde a praia e as ondas estavam à nossa espera. Com a paragem em frente ao grandioso Convento de Mafra e estando precisamente nesta altura a estudar o Memorial do Convento de José Saramago olhámos o monumento e fixámo-lo; durante um minuto nenhum de nós falou. Habitual passar ali e apanhar o autocarro em frente ao Convento era, só nunca tínhamos percebido o toda a história traduzida por toda aquela monumentalidade, e o porquê do Convento existir ali. Rapidamente desligámos, o autocarro chegou. Até à Ericeira conversas sobre o Rei D. João V, Autos-de-Fé, Memorial do Convento e José Saramago tomaram conta dos bancos traseiros do autocarro que ia passando aldeias até chegar destino.
Ribeira D'ilhas, dez horas da manhã, boas ondas e vontade de entrar, meteram-nos rapidamente no mar e sentados nas pranchas a ver o sol ficámos até que a próxima onda deixasse que a surfássemos. O Francisco questionava-se como seria se o Convento fosse construído hoje, se teria morrido tanta gente, que materiais seriam utilizados, quem o mandaria edificar e quais as razões. Entre ondas eu tentava responder, mas ia ficando cada vez mais confuso e baralhado com tanta pergunta. Respondi-lhe que era impossível o Convento ser construído nos tempos de hoje com toda aquela monumentalidade e que as razões que levaram o Rei D. João V a mandar edificar o Convento não poderiam obviamente ser as mesmas que as do tempo de hoje. A conclusões chegámos; a mãe de Blimunda não seria morta pela inquisição porque Autos-de-Fé já não os há, Bartolomeu não construiria certamente a Passarola porque o tempo evoluiu tecnologicamente, o Convento não era mandado construir por um Rei mas sim por um Município.
O diálogo Conventual estava tão animado que o Francisco apanhava ondas e no tudo já gritava Blimundaaaaaa! e levava com a espuma toda em cima.
Chegado a casa depois de ter levado O Rei D. João V, Baltazar, Blimunda e Bartolomeu a surfar reflecti que nunca tal tinha acontecido, nunca tínhamos ligado ao Convento nem a nada com ele relacionado. Percebi também que culturalmente tínhamos ganho o dia e que as aulas de português não servem só para ler as aborrecidas linhas "mal pontuadas" de Saramago
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Não conto a ninguém
Blimunda não pêca, não abre os olhos em jejum nem explica aos seus o porquê de o fazer. Não conta tudo, esconde de si uma boa parte com o intuito de não ferir que a ama.
Sinto a cabeça presa, qualquer movimento é constrangedor, não escondo nada, mas guardo para mim o que é meu. Não digo tudo porque o tudo está no olhar, escrevo o que sinto melhor do que falo e com isto aprendo que guardar para mim o que me pertence não é egoísmo, medo ou insegurança, é vontade de viver, vontade de mostrar tudo o que sou em momentos que podem fazer a diferença. Não conto a ninguém mas acabo por contar, não digo tudo mas conto.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Viver um sonho
Certo é que todos sonhamos, o nosso inconsciente divaga em fragmentos que desejamos viver. Sonhamos também conscientes de uma realidade improvável e mesmo sem confiança avançamos. Sonhar é criar o fantástico, é ambiciar algo independentemente de lutarmos por isso ou não. Bartolomeu sonhou e venceu, construiu a Passarola e com toda a ambição voo. Sonhar está nos homens, dormir é sonhar. Quando dormimos mergulhamos num inconsciente de analépses e prólepses, onde vivenciamos momentos que com um piscar de olhos param e voltamos ao real. Divagamos no fantástico também acordados, definimos o futuro embora que este seja improvável, irreal e fantasiado. Somos definidos pelo inconsciente, sonhamos e acontece, ambiciamos no presente e é prolongada a espera.
E viver sonhos? Quantas vezes vivemos?
Não são muitas nem acontecem ciclicamente as oportunidades que temos de converter sonhos em realidade. Viver um sonho é viver um realidade acima da realidade humana. É algo nosso que só nós percebemos o significado e damos o valor merecido.
E quando não sonhamos e temos o fantástico à nossa frente?
É melhor que qualquer sonho, que qualquer plano, é ter tudo o que nunca percebemos que tinha valor sem perceber o porquê de o estarmos a ter.
Sonhar é viver, sonhar é explorar o inconsciente e deixar que ele nos explore, sonhar é procurar o futuro, é definirmo-nos como homens.
E viver sonhos? Quantas vezes vivemos?
Não são muitas nem acontecem ciclicamente as oportunidades que temos de converter sonhos em realidade. Viver um sonho é viver um realidade acima da realidade humana. É algo nosso que só nós percebemos o significado e damos o valor merecido.
E quando não sonhamos e temos o fantástico à nossa frente?
É melhor que qualquer sonho, que qualquer plano, é ter tudo o que nunca percebemos que tinha valor sem perceber o porquê de o estarmos a ter.
Sonhar é viver, sonhar é explorar o inconsciente e deixar que ele nos explore, sonhar é procurar o futuro, é definirmo-nos como homens.
sábado, 14 de março de 2009
Relatório Final

Para a realização do trabalho individual optei por escolher a opção blog, ao qual dei o nome de “Duplamente Homens”/”Sem que gozes não vives”. Estas duas expressões caracterizam a matéria da disciplina e a ideia que eu pretendi transmitir com todos os textos publicados. Ao longo das semanas decorridas entre o inicio e o final do trabalho individual para a disciplina de Português, coloquei no blog dezasseis entradas. Entre estas entradas estavam presentes a visita de estudo, o relatório intermédio e sobretudo reflexões sobre quem sou, o que sinto, como vejo os outros e a dúvida sobre quem é o ser humano. Tentei em todas as postagens relacionar o meu elemento (Fogo), uma situação do quotidiano e a matéria que estava a ser leccionada. Fiz também cerca de duas entradas que não estavam directamente ligadas com a temática do trabalho mas que achei importante fazê-las, como a do web site de Fernando Pessoa.
Apesar de algumas das entradas terem sido postadas com alguns dias de atraso, não encontrei dificuldades no percurso percorrido, fiz praticamente todas as entradas que foram pedidas.
Para todos os textos que escrevi, tentei encontrar poemas que os caracterizassem. Utilizei poemas de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Luís de Camões como forma de traduzir em tom poético o meu pensamento. Utilizei fragmentos de aulas, tempos livres em casa e até o autocarro como tempo para a elaboração dos textos.
Considero o blog e todo o trabalho realizado, algo mais que uma maneira de nos obrigar a escrever, no meu caso foi uma proposta bastante positiva, motivou-me a escrever sobre temas em que tinha uma vasta possibilidade de escolha, a caracterizar-me como pessoa e a tentar perceber quem são os outros, de que são feitos?
Contudo considero o meu desempenho bastante positivo, considero ter trabalhado bem (ainda que com alguns pequenos atrasos), ter mostrado empenho e preocupação em relação ao blog e ter relacionado os três elementos sem grandes dificuldades.
Relativamente à opção entre blog e teste, considero que o blog foi uma boa maneira para substituir o teste de avaliação. Com o blog conseguimos sintetizar e utilizar a matéria leccionada durante um período de tempo mais longo do que num teste. Para um teste estudamos dois/três dias antes; para o blog temos de estar constantemente em reflexão, a tentar relacionar o que demos na aula anterior com uma situação do quotidiano. O que no meu caso permitiu um maior conhecimento sobre a matéria que aprendi e uma maior facilidade de aquisição de conhecimentos, visto que não tinha a pressão que tem um teste.
Gostei do trabalho, e fiquei motivado para continuar a escrever. Com isto espero no terceiro período continuar com o trabalho do blog
domingo, 8 de março de 2009
Quanto pesa um sentimento?

Se penso mais que um momento
Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.
Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive…
Fernando Pessoa
Situações do quotidiano, raras,confusas mas reais, podem tornar-se nalgo incerto, algo que temos vontade de arriscar, mas que mesmo assim ficamos baralhados. Pensamos nelas como algo futuro mas não é isso que queremos sentir, queremos apenas viver o agora, tirar o máximo partido disso, sem ter em conta as conclusões que todo o incerto poderá vir a ter. Tudo tem de ser linear, claro e simples; sem “truques”, complicações ou enganos.
Também agimos sem pensar, o que nem sempre nos permite fazer uma escolha acertada do que queremos. Mas também como podemos saber o que queremos se não vivermos as confusas situações do quotidiano? Se não agirmos sem pensar? Acertar não é o importante, acima disso está a experiência de vida adquirida e tudo o que isso implica. Quando acertamos voltamos a ser “meninos”, rimos e brilhamos, a confusão passa e o labirinto mental torna-se mais simples.
E o tempo que não sabemos se estamos a fazer o correcto. Qual o peso desse tempo/pensamento? É confusa a resposta, mas equivale a perguntas complexas que nos são colocadas diariamente, umas com resposta sabida, outras que muito nos dão que pensar. Sentimento comparado com o fogo, pois quando queima, baralha tudo, pesa na consciência, queima e arde. Magoa mas pode também não magoar se o peso não for demasiado. Quando feito com consciência o peso do fogo ( sinónimo de amizade, vontade de viver, amor, paixão, ódio) diminui. Não nos torna levianos nem indiferentes perante o que acontece à nossa volta, baralhados apenas, nos primeiros minutos do tempo que poderá vir a durar esse pensamento.
O peso é relevante, é vivido e duvidoso, sem que gozes não vives.
Carnaval

Saídos de Lisboa, com a máscara mal definida e a ansiedade fogosa de saber o que iríamos encontrar, apressámo-nos para o autocarro.
Chegados a Torres Vedras e espantados com todo o entusiasmo que era vivido, entrámos também no ambiente festivo. Dançámos, cantámos, gritámos. Mas?! Porquê isto? Porquê tanta máscara, porquê tanta alegria, qual o porquê de eu, o Tiago, a Filipa e a Mariska estarmos ali, mascarados e no meio de outras cinco mil máscaras? Ainda que distante desta questão naquela noite, continuei a reflectir e a encontrar respostas.
O Carnaval é uma das alturas do ano em que o elemento Fogo a nível sentimental se evidencia com maior naturalidade. Fogo pode significar amor, carinho, união, e foi isso que encontrei. Por trás de todas as máscaras, dos carros alegóricos e das bancas de venda de produtos, estava alguém que não era obrigado a estar ali, alguém que estava a viver o Carnaval.
Alguém que se mascára não só para ser algo que não é, a máscara é apenas um meio de viver o momento estando com quem mais gostamos.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Concluir

Lisbon Revisited (1923 )
NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Álvaro de Campos
Debruçado na secretária numa noite gélida de Inverno com a intensa chama da lareira a arder, concentro-me numa das suas brasas e vejo nela um sinal de esperança,, um motivação.
Ergo a cabeça e a minha consciência entra num caminho cíclico de questões e respostas. Pergunto se tudo o que tento alcançar vai ser possível? Sei que iria gostar que isso venha a suceder , mas ao mesmo tempo surge no meu labirinto mental a contra resposta ao meu inconsciente. Tu consegues se acreditares, se viveres o que és, mas será que essa é a tua feliz conclusão? Não quero nada mas quero tudo, tenho tudo mas anseio sempre mais e melhor.
Disperto e logo me desligo do assunto pois sei que este labirinto não me induz a nada. Planeio e tento vencer e alcançar. Vivo cada dia sem conclusões pois concluir é morrer.
Incertezas

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
Ricardo Reis
De dentro da sala observo o rio, observo o claro, só convigo divagar no escuro. A sonolência sentida na sala, leva-me por momentos a cerrar os olhos.
Não me chateio com nada, mas tudo me irrita, estou empenhado no que faço mas ainda assim distraido. Abro a mochila e descubro uma carta de memórias que me faz divagar no passado. Desligo da aula e entro num ambiente bem menos complexo, sem rectas, planos ou rebatimentos.
Rebato-me para as memórias e revivo o que outrem fui em pequenos fragmentos de tempo.
Outros dias lanço-me perante o futuro em profundas reflexões sobre o que sonho, anseio e planeio.
O meu presente é confuso mas determinado, realista e vivido. Acholhe-me mas não paro de ansear o futuro e recordar o que fui.
O fogo não terá lugar nesta entrada, nem sempre a chama brilha, nem sempre a vontade de seguir em frente está acessa acesa, nem todos os dias podemos viver com um sorriso.
Relatório - 1ª Etapa do trabalho individual

Apôs algumas semanas de escrita e de várias reflexões a tentar da melhor maneira reunir o fogo, o quotidiano e Fernando Pessoa, verifico através do meu consciente e dos comentários feitos pela professora no blog, que tenho vindo a desenvolver um trabalho positivo. Tentei desde ínicio utilizar poetas e poemas como referência para as minha reflexões. Com isto, tenho tentado da melhor maneira resolver o problema e não tem sido difícil adquirir material para escrever/ reflectir. Sinto o que escrevo e penso sempre no próximo texto e em como é que vou relacionar o três elementos. Tenho todos os textos elaborados mesmo que alguns entregues fora de prazo.
Contudo elaborar os textos a tempo e horas tem sido bastante complicado, pois todo o tempo livre que temos durante a semana, é gasto em trabalhos de casa para várias disciplinas e FCT. Tento com isto explicar alguns atrasos tanto a nível de turma como a nível pessoal.
Tenho estado a achar a ideia do blog e das reflexões bastante boa visto que este período só iremos ter um teste, logo se me esforçar e me empenhar neste trabalho e no teste irei obter uma boa classificação.
Com o trabalho tive a possibilidade de encontrar por meio da escrita, algo que me torna mais forte, descobri nela uma maneira de libertar os sentimentos, as emoções e o que não posso dizer sem que todos ouçam. Adquiri a possibilidade de em vez de prendas inacessíveis economicamente, oferecer apenas um simples texto que se torna mais relevante que uns meros euros.
PS: ultimamente o meu acesso ao computar e à Internet em casa tem sido limitado, por esse motivo só tenho conseguido por os textos ao fim de semana. Posto hoje também mais duas reflexões.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Lisboa chuvosa

Acordo com o entusiasmo de ter uma visita de estudo, apanho o autocarro e sigo para a baixa-chiado. Em pleno largo de Camões, encontro os vários elementos da turma que iriam comigo conheçer a Lisboa Pessoana. Entre fotografias, rostos chateados devido à chuva que se fazia sentir, risos e conversas encontrámo-nos com o guia que nos iria dar a conheçer os locais por onde Fernando Pessoa tinha passado em vida. Chuvia intensamente e a voz do guia, este com bigote, olhos azuis e de chapéu de chuva colocado no punho, mal dava para ser ouvida por todo o grupo que atentamente o tenta escutar. O primeiro encontro com o guia deu-se no largo do teatro de S. Carlos onde está situada a primeira casa de Fernando pessoa. Um prédio tradicional lisboeta com varandas, amarelo e com traçados pintados de branco. Neste local entusiasmei-me com a máquina fotográfica e fiz uma sequência de fotos do local e foquei-me nos candeeiros lisboetas presentes naquele local. Seguimos a visita, e sem grande atenção da minha parte para com o guia, esta também devido à chuva, fui tirando fotografias, ouvindo os poemas de Pessoa a serem lidos e a ter conversas paralelas ao assunto em contexto com os meus colegas de turma.
Fotografei e adquiri informações relevantes relativas a locais de culto de Fernando Pessoa. Uma Igreja, a Brasileira, a loja dos Charutos, e cafés frequentados pelo poeta foram-nos indicados como locais de referência para Fernando Pessoa na sua época. Conhecemos também aspectos relevantes sobre a vida e obra de Fernando Pessoa.
Entre tudo isto também tive o meu momento de leitura de um poema para que o grupo ouvisse. Enquanto lia e apôs tê-lo lido, percebi o quão importante era termos realizado a visita de estudo. Encaro-a como uma fonte de motivação e cultura perante um tema importante literário que temos estado a estudar.
Percebi o quão Fernando Pessoa foi importante para toda uma sociedade, revelou uma ideia futurista perante o mundo em que viveu, e apesar de viver na geométrica cidade de Lisboa conseguiu atravês de héterónimos descubrir o mundo à sua maneira, vivendo apenas para a Poesia.
Perante a atenta mas distraida realizada no ambito da disciplina de Português faço um comentário positivo, apesar de ter chovido e de todos os se não’s daquele dia, conseguimos descubrir e adquirir cultura, tendo passado pelos sitios mais marcantes que o nosso tão prestigiado Fernando Pessoa viveu e poetizou.
Inspirações

Como fonte de inspiração para o que reflicto, penso e escrevo utilizo muitas das vezes um web site que realizei para a disciplina de Projecto e Tecnologias, durante o primeiro período. Este web site contem biografias e poemas relativas a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos.
link: http://www.fernandopessoa.pt.vu

“AMOR É UM FOGO QUE ARDE SEM SE VER “
Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís Vaz de Camões
Acordei e nessa mesma manhã apaixonei-me por quem menos queria, um sentimento forte entrou em mim e quando o percebi era tarde, estava preso. Apaixono-me e descubro que não vale a pena, se vale é temporariamente pois a longo prazo acabamos por sentir algo mais que a bonita paixão dos beijinhos e dos abraços. Sofremos mas o que vem sempre à memória são os momentos bem passados, as alturas em que nos divertimos e que sabemos que estamos mesmo a amar. Cometemos loucuras e somos capazes de enfrentar os maiores perigos para proteger alguém que julgamos amar mas que nos atraiçoam e são incompreensíveis.
Desconhecemos o que pensam o que querem e mesmo assim investimos em algo que em nada dará. Julgamos por vezes os amigos para protejermos alguém que conhecemos à meros dias.
Não julgo este sentimento pois senti-lo é como uma viagem para longe onde durante longos dias não ligamos a nada e andamos contentes, rindo, pulando e gritanto de alegria. Explodimos com os maus momentos e é isso que nos faz agir sem pensar e perguntar o porquê de estarmos com aquela pessoa. Acabamos sempre por esquecer e voltar e repetir as mesmas brincadeiras. Um dia algo irá “queimar” toda aquela fogosidade amorosa.
Algum dia irás ficar a pensar se estiveste certo ao te envolveres em algo sério.
Algum dia te arrependerás da vida e vais decidir fugir, ser outrem ou divagar entre alcool, tabaco e versos.
Algum dia perceberás quem és…
Mas “ Sem que gozes não vives ”
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Palavras perdidas

Sonho, cresço, aprendo, vivo, amo, iludo-me, descubro, encontro, percorro, ganho , perco; sou o que poucos conhecem!
Sonho porque sonhar é vontade de viver.
Cresço e acompanho o que me rodeia.
Aprendo que nem tudo é o que vejo e adiro.
Vivo cada momento.
Amo como a fogosidade de uma chama.
Iludo-me mas aprendo.
Descubro que cada piscar de olhos trás algo novo.
Encontro o que nem sempre quero.
Percorro a linha da amizade.
Ganho a cada momento o que futuramente perco.
Arrumar o quarto

Domingo , apôs algumas repetições para que arrumasse o quarto decidi agarrar no monte de roupa espalhada e levá-la para o cesto. Por baixo de todas aquelas lãs encontrei um albúm com fotografias de quando ainda não tinha personalidade definida.
Parei, abri-o e ao olhar para uma fotografia, já antiga e ligeiramente queimada pela chama de um isqueiro questionei-me o que era a personalidade, e se já a tinha definida. O queimado da imagem fez-me reflectir e chegar a achar que não valia a pena baralhar-me com este assunto, a chama cravada na foto fez-me sentir a saudade de todos os tempos em que não tinha personalidade, chegar a perguntar-me se eles existiram mesmo?!
Percebi segundos depois que sim, tenho a minha personalidade, não talvez a que me caracterizará no futuro, pois: pessoas, ambientes lugares, trabalhos fazem-nos crescer ou regredir, definem-nos e caracterizam-os perante os outros.
Fecho o albúm e reflicto a cada momento quem sou. Irei saber em breve? Saberei algum dia?
Por dento de uma turma

"A aranha do meu destino"
A aranha do meu destino
Faz teias de eu não pensar.
Não soube o que era em menino,
Sou adulto sem o achar.
É que a teia, de espalhada
Apanhou-me o querer ir...
Sou uma vida baloiçada
Na consciência de existir.
A aranha da minha sorte
Faz teia de muro a muro...
Sou presa do meu suporte.
Fernando Pessoa 10 - 8 - 1932
Sentado e observando rostos atentos decido reflectir sobre o que vejo. Várias culturas, diferentes interesses, personalidades estão espalhados pela sala. São constantes as faltas de atenção, os sorrisos os bocejares, os lápis a riscarem a páginas a serem viradas. Olhos fechados surgem de vez em quando, são intensos e lembram aos mais atentos a fogosidade de um pensamento, a intensa reflexão sobre algo como que se a vontade de viver a esperança (elemento fogo) ardesse sem mais parar.
Tento perceber nestes momentos em que é que cada um pensa, se têm uma opinião idêntica à minha quando reflectem sobre a turma.
Apesar de já conhecer o suficiente cada um para ter uma opinião formada, ainda me questiono se são mesmo assim?! Se há algo mais que me fascine por descobrir?!
Por incertezas divago e não encontro respostas, cada piscar de olhos diz algo novo sobre nós, coisas que por vezes nem nós conhecemos.
Variação de humor

Nem todos os dias acordamos com o mesmo pensamento, uma estranha variação de humor que nos escolhe cada manhã. Dias sem sol, sem vontade de acordar com chuva, em mim tem influência, esta que me deixa num dia “não” perante o longo dia que tenho de enfrentar.
A chama não brilha nesses dias, o que não significa que nessas alturas seja criado em mim um heterónimo. Irrito-me facilmente mas tenho uma justificação credível para isso.
Seria considerado um heterónimo se a minha personalidade mudasse consoante a companhia, o ambiente ou perante uma necessidade profissional. Poderia também ser considerado um heterónimo se por não me sentir bem com a pessoa que sou ou por mera fantasia decidisse fazer-me passar por algo ou alguém que não sou mas que venero.
Tudo tem influência no nosso sentido humor, pequenas situações alteram-no sem nos apercebermos, consomem-nos por momentos e são novamente alteradas.
Metropolitano de Lisboa

Cada dia sem gozo não foi teu
Cada dia sem gozo não foi teu
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!
Ricardo Reis | 14 - 3 - 1933
Mais uma manhã mais um dia do quotidiano
Sozinho, em profunda reflexão no metropolitano de Lisboa olho à volta e penso se tudo o que vejo é apenas o que os meus olhos observam e questiono-me o que estará por detrás de cada ser humano que está sentado na carroagem. Divago em incertezas sem chegar a uma resposta concreta, cada pessoa tem a sua chama, a sua vontade própria e a liberdade de fazer o que quer. Entre rostos adolescentes vejo incerteza naquilo que são, risos esforçados, que surgem de actos sem piada mas que fazem os amigos rir. “Sem que gozes não vives”. É verdade mas não pode ser levado ao extremo.
Certamente várias caricaturas estariam sentadas naqueles bancos sonolentos naquela manhã fria. Ninguém é aquilo que veste ou que tem, todos usamos truques que nos indusem e indusem os outros ao que não é a realidade.
Quotidiano
Em qualquer situação do quotidiano nos deparamos com máscaras que não conseguimos identificar, umas por ser assim que se sentem melhor, outras por maldade e ainda outras sem explicação
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Elemento fogo

Visto que o objectivo fulcral deste trabalho é relacionar o quotidiano, o nosso elemento (o fogo no meu caso) e Fernando Pessoa, decidi iniciar o blog com a postagem de um dos textos que realizei sobre o meu elemento.
- FOGO
A palavra fogo deriva do latino “focu” e é sinónimo de luz, vida, amor, esperança, coragem e força.
Em Os Lusiadas de Luís Vaz de Camões o elemento fogo encontra-se em praticamente todos os cantos, nem sempre transmitido de uma forma concreta e implícita.
Na obra este elemento é maioritariamente utilizado em metáforas onde se contrasta e compara os acontecimentos com o fogo. Somos constantemente exaltados pelo fogo de uma forma simbólica.
O elemento fogo simboliza toda a coragem e esperança que os nossos herois Lusos tiveram ao seguir rumo à Índia, não tendo rota definida e conhecendo os perigos que o mar lhes traria. Tiveram coragem para enfrentar e vencer os seus medos, tempestades e monstros (gigante Adamastor) , conseguiram com toda esta fogosidade conquistar uma nação e fazer com que esta se orgulhe de todos os seus herois.
Fogo representa também o amor incomparavel, eterno, incondicional, mas com um final triste e fatal entre D. Pedro e Inês de Castro. É discrito um amor fogoso, um amor a sério, um amor verdadeiro, nunca antes discrito. Nesta cena conseguimos perceber a verdadeira grandeza do fogo, a verdadeira grandeza de uma mãe que implora ao Rei com uma profunda e fogosa mágua, que não seja morta, para que não abandone os seus filhos. A chama ardente, o coração desesperado traduzem vários sentimetos para os quais o fogo consegue ser sinónimo.
Outro exemplo onde encontramos este elemento é na Batalha de Ourique em “Ele, adorando o que lhe aparecia ”, “Na Fé todo inflamado assi gritava:”. D. Afonso Henriques gritava inflamado, cheio de vontade, coragem, força e amor à nação.
O fogo está representado tanto de uma maneira explicita como ímplicita; existem várias formas de intrepertação mas todas elas têm como base a coragem para lutar por uma nação, a vontade de viver, ir além do inalcansável, enfrentar perigos e guerras sempre com a ânsia de vencer.
Contudo, o fogo está presente em toda a obra adaptando-se aos vários acontecimentos.
Para que toda a bra tenho sido escrita com tanta fogosidade o poeta tem certamente de ter em si o seu lado fogoso.
“A Hepopeia de Luís de Camões é toda ela um poeta fogoso.”
Afirmo isto pois para além de todo o simbolismo interno da obra, onde o elemento fogo se verifica com maior facilidade é na maneira como o poeta escreveu a obra. Está presente que Luís de Camões pretendia exaltar o universo, glorificar os herois Lusos e afirmar a dimensão da Nação Portuguesa.
O poeta escreve versos como “Mais do que prometia a força humana”, “Cantando espalharei por toda a parte ”, “Cessem do sábio Grego e do Troiano”. Nestes versos percebemos toda a força, vontade, a vida de uma nação, num tom hiperbólico criado pelo poeta afirmando que aquilo que escrev tem muito mais “chama” que todas as outras Hepopeias.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Que, da Ocidental praia Lusitana

Texto relativo ao primeiro periodo mas que decidi postar.
"Que, da Ocidental praia Lusitana” – Proposição, 1ª estrofe, 2º verso
Enquanto percorria a curta distância entre o padrão dos descobrimentos e a torre de Belém, olhava para o Tejo e recordava as grandes glórias do povo Português e tentava perceber qual a importância da existência de tais monumentos, decidi sentar-me à beira rio e olhar a longínqua linha imaginária que separa os homens dos deuses. Sem perceber à primeira que era para mim ouvi uma voz jovem e meiga que com alguma arrogância me perguntou se tinha lume. Não respondendo, olhei-o nos olhos e percebi que aquele pobre rapazinho precisava de alguém; alguém que lhe explicasse que a vida tem sentido e pedi-lhe que se sentasse por dois segundos. Sentou-se, mas ficou calado a cada pergunta que lhe fazia, a unica resposta que me deu foi que já não gostava da escola e que ninguem lhe dava valor.
Fiquei calado por momentos, mas rapidamente esse bloqueio me passou, decidi que era a minha oportunidade de perceber qual a importância daqueles monumentos. Foi então que lhe disse: que, da Ocidental praia Lusitana se tinham lançado ao desconhecido bravos marinheiros como ele. Gente que ultrapassou perigos e guerras esforçadas, sempre com a confiança de que iriam alcançar o ainda indefinido caminho marítimo para a Índia. Que os marinheiros acreditaram na mitologia, mas que acima de tudo a verdadeira coragem estava dentro deles, dentro daquele bravo povo que dentro das naus de Leiria rumou para o incerto com a vontade e a garra de honrar a pátria. Disse-lhe que várias almas foram perdidas, mas que tudo tinha um propósito, um objectivo traçado ao qual a unica resposta possivel era a vitória.
Estranhamente o rapaz, deu-me um abraço e sussurou um tímido obrigado no meu ouvido; levantou-se e com convicção lançou o cigarro que segurava entre os dedos para o Tejo. Correu até eu o perder de vista.
Não percebi ao certo se o rapaz tinha percebido o que lhe quis explicar com toda aquela conversa “estranha”, mas fiquei tranquilo por te-lo feito ver que o seu caminho não era o correcto...
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