
Se penso mais que um momento
Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.
Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive…
Fernando Pessoa
Situações do quotidiano, raras,confusas mas reais, podem tornar-se nalgo incerto, algo que temos vontade de arriscar, mas que mesmo assim ficamos baralhados. Pensamos nelas como algo futuro mas não é isso que queremos sentir, queremos apenas viver o agora, tirar o máximo partido disso, sem ter em conta as conclusões que todo o incerto poderá vir a ter. Tudo tem de ser linear, claro e simples; sem “truques”, complicações ou enganos.
Também agimos sem pensar, o que nem sempre nos permite fazer uma escolha acertada do que queremos. Mas também como podemos saber o que queremos se não vivermos as confusas situações do quotidiano? Se não agirmos sem pensar? Acertar não é o importante, acima disso está a experiência de vida adquirida e tudo o que isso implica. Quando acertamos voltamos a ser “meninos”, rimos e brilhamos, a confusão passa e o labirinto mental torna-se mais simples.
E o tempo que não sabemos se estamos a fazer o correcto. Qual o peso desse tempo/pensamento? É confusa a resposta, mas equivale a perguntas complexas que nos são colocadas diariamente, umas com resposta sabida, outras que muito nos dão que pensar. Sentimento comparado com o fogo, pois quando queima, baralha tudo, pesa na consciência, queima e arde. Magoa mas pode também não magoar se o peso não for demasiado. Quando feito com consciência o peso do fogo ( sinónimo de amizade, vontade de viver, amor, paixão, ódio) diminui. Não nos torna levianos nem indiferentes perante o que acontece à nossa volta, baralhados apenas, nos primeiros minutos do tempo que poderá vir a durar esse pensamento.
O peso é relevante, é vivido e duvidoso, sem que gozes não vives.

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