
No estojo encontro papelinhos, vários assuntos estão escritos e tratados, apenas um me trás saudade. Sem que gozes não vives está escrito numa dessas folhas, de Pessoa me recordo e viver em primeira pessoa deixa de fazer sentido. Ricardo Reis mas principalmente Álvaro de Campos e a excentricidade e a exaltação pela máquina me invadem. Sou Campos agora e edificar um Convento como o descrito por Saramago vou. . Construi-lo, será simples com toda a tecnologia que disponho; homens a carregar pedras? Não, nada disso! O mundo é bem mais terra a terra. Saramago, evoluímos! Já não há Autos-de-Fé nem Passarolas. Existem aviões e tecnologia. Vivo a máquina, vivo no futuro e acordo. Volto a ser eu mas Mafra e os seus campos deslumbram-me, encanta-me tanto gado e milhares de homens a edificar tal monumentalidade. Vejo só isto e fico maravilhado, recordo tudo o que na minha aldeia vivi. Caeiro como nome tenho e não me canso de olhar e ver apenas isto. Se no meu tempo a Mafra tivesse ido, muitos esquiços conventuais, na Brasileira ou café semelhante, teria escrito. Nunca soube ao certo quem fui! Quem sou ainda me baralha. Escrevo sobre um Convento e não percebo. Ópio e vodka são o meu refúgio. Inteligente talvez seja, não sei bem. Sou fragmentado e agora só me recordo de uma frase: Tenho saudades das páginas Pessoanas que nos colavam ao manual de Português durante um período lectivo.
Regresso ao Eu, sem heterónimos nem complicações. Dobro os papelinhos e volto a colocá-los no estojo. Mesmo fechado a frase "Sem que gozes não vives" de Ricardo Reis ainda deixa em mim saudade.

Correcção:
ResponderExcluir"me traz"