
- Pára Filipe! Estou concentrado a fazer o último relatório do ano, não quero baixar a nota, sabes disso mas continuas.
Parámos e estáticos ficámos a olhar para a "chefe" Risoleta. Fomos observados segundos que pareciam minutos, olhos severos e descontentes provocádos pela interrupção que causámos estavam abertos sobre a mesa menos ensonada da sala. Eram oito e quarenta e cinco da manhã e o sono juntamente com o tão cultural Dicionário das Palavras tomavam conta de uma das últimas aulas leccionadas à turma 12H na António Arroio.
Ficámos calados e percebemos o olhar, virámos a nossa atenção para palavras como "Abracadabra" que nos entretinham e nos levavam a reflectir sobre uma relação linguística e simbólica entre o dicionário e o Romance Histórico. Inicialmente não percebi a importância da leitura de um dicionário das palavras, não entendi o quão relevante poderia ser o significado de uma palavra banal inserida num contexto histórico e literário. Várias aulas passaram, vários "Filipes" me desconcentraram enquanto vários significados de palavras eram lidos. Percebo hoje que escrevo o relatório e que estou focado num só objectivo, o de ter boa nota, que Blimunda não abre os olhos sem comer em vão. Por trás de tudo isso há palavras, expressões e verbos que traduzem toda uma simbologia. Hoje também estudo para o teste, pena tenho de ter falhado na recolha de informação e relação linguística de palavras com o tema estudado na disciplina. Certamente com mais atenção os apontamentos que tenho agora redigir para o teste de Terça-Feira seriam mais elaborados. Triste não fico porque sempre o fiz, mas prometido está que palavras misteriosas do Dicionário não me escaparão mais até ao final do ano. Mesmo com o Lipe ao meu lado.

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