domingo, 3 de maio de 2009

Lanzarote e Arrifana










Em Lanzarote Saramago mostra ao mundo fragmentos de uma experiência de vida, em Memorial do Convento expressa uma vontade, a da Passarola e o Padre Bartolomeu voarem. Nas aulas lemos excertos onde o contexto histórico, a época e os costumes estavam explícitos. Escreve sobre o passado em ficção, sobre o passado verdadeiro e sobre o presente. Não sou escritor mas feliz fico por poder escrever também fragmentos sobre o meu passado, presente e futuro. Não construí uma Passarola mas voei, fiz planos antes de partir que foram superados com uma partilha de amizade entre dezasseis "monstros das bolachas" que fizeram de mim e da Arrifana as pessoas mais felizes. Estava rodeado de Fidalgos, Duques, Reis e Duquesas que não me ajudaram na construção de uma maqueta da basílica de S. Pedro mas que edificaram mais que um Convento de Mafra. Autos-de-fé não fizemos mas houve quem "morresse", eu morri , mas a minha morte está guardada em mim. Não dormi em camas, praia, terraços e chão chegaram para descansar e estar sempre pronto para o dia seguinte. Acordaram-me com panquecas e gelado, fui o Rei D. João V por dias. Senti tudo em oito dias, já passaram uns meses mas a chama ainda está acesa. Orgulho-me de ter a turma que tenho e prometido está que nada será esquecido, que tem todo o significado, significado esse que com o passar do tempo não desaparece, aumenta. Vivi tudo, se para Lanzarote fosse escreveria um caderno onde cada pormenor seria minuciosamente tratado. Não vivendo ainda na ilha escrevo apenas recortes do que foi uma das semanas mais felizes da minha vida.

Lisboa, 2009

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