sexta-feira, 1 de maio de 2009

Surf + tempo histórico hoje









Prancha na mão, mochila, barbatanas amarradas e com o Francisco bem disposto a gritar IUHHHHUHHHH, saio em Mafra para apanhar o autocarro com destino à Ericeira onde a praia e as ondas estavam à nossa espera. Com a paragem em frente ao grandioso Convento de Mafra e estando precisamente nesta altura a estudar o Memorial do Convento de José Saramago olhámos o monumento e fixámo-lo; durante um minuto nenhum de nós falou. Habitual passar ali e apanhar o autocarro em frente ao Convento era, só nunca tínhamos percebido o toda a história traduzida por toda aquela monumentalidade, e o porquê do Convento existir ali. Rapidamente desligámos, o autocarro chegou. Até à Ericeira conversas sobre o Rei D. João V, Autos-de-Fé, Memorial do Convento e José Saramago tomaram conta dos bancos traseiros do autocarro que ia passando aldeias até chegar destino.
Ribeira D'ilhas, dez horas da manhã, boas ondas e vontade de entrar, meteram-nos rapidamente no mar e sentados nas pranchas a ver o sol ficámos até que a próxima onda deixasse que a surfássemos. O Francisco questionava-se como seria se o Convento fosse construído hoje, se teria morrido tanta gente, que materiais seriam utilizados, quem o mandaria edificar e quais as razões. Entre ondas eu tentava responder, mas ia ficando cada vez mais confuso e baralhado com tanta pergunta. Respondi-lhe que era impossível o Convento ser construído nos tempos de hoje com toda aquela monumentalidade e que as razões que levaram o Rei D. João V a mandar edificar o Convento não poderiam obviamente ser as mesmas que as do tempo de hoje. A conclusões chegámos; a mãe de Blimunda não seria morta pela inquisição porque Autos-de-Fé já não os há, Bartolomeu não construiria certamente a Passarola porque o tempo evoluiu tecnologicamente, o Convento não era mandado construir por um Rei mas sim por um Município.
O diálogo Conventual estava tão animado que o Francisco apanhava ondas e no tudo já gritava Blimundaaaaaa! e levava com a espuma toda em cima.
Chegado a casa depois de ter levado O Rei D. João V, Baltazar, Blimunda e Bartolomeu a surfar reflecti que nunca tal tinha acontecido, nunca tínhamos ligado ao Convento nem a nada com ele relacionado. Percebi também que culturalmente tínhamos ganho o dia e que as aulas de português não servem só para ler as aborrecidas linhas "mal pontuadas" de Saramago

Um comentário:

  1. EPa oh menino Mike! ate parece que foi tudo asism!! "o francisco, questionava-se..." so essa fraze!!! xDDDDD

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