Ainda que com uns dias em atrasado, coloco hoje no blog o relatório final sobre todo o trabalho realizado ao longo deste terceiro periodo. Penso ter respondido positivamente aos objectivos, pois em todos os textos tive em consideração o conteudo leccionado nas aulas e a vida quotidiana. Postei todas as entradas pedidas, maioritariamente derivam de situações veridicas ainda que algumas sejam reflexões ficticias criadas com base em conteudos observados. Arranjei vários temas do meu interesse e relacionei-os com a matéria das aulas, utilizei também contextos escolares e que aconteceram na própria sala de aula de português para trabalhar as postagens.
Afirmo, como já o tinha feito no relatório final do segundo período, a ideia de utilizar um blog para avaliação como um bom método de fazer com que os alunos se integrem na matéria e obtenham bons resultados nos testes. Com o blog desenvolvi capacidades a nível da escrita que desconhecia ter, e ao trabalhar conteudos do programa e relacioná-los com o quotidiano fui quase que obrigado a interagir com a matéria de uma forma muito próxima. Sempre que escrevia um textos pesquisava antes sobre qual seria assunto do programa que se adoptaria melhor à temática quotidiana que escolhia. Utilizei o blog como método de estudo e como forma de aquisição de cultura sobre temas vastos, entre eles a leitura de textos escritos por José Saramago no seu blog.
Esforcei-me e empenhei-me para entregar os textos a tempo, ainda que alguns deles tivessem chegado com alguns dias de atraso. Apesar disso e com a conclusão do ano lectivo, afirmo o meu trabalho não só no blog mas também nos conteúdos intra-escolares como progressivo. Melhorei as minhas capacidades e isso reflectiu-se nas notas e no modo como escrevo, como reflicto sobre as coisas e como abordo os assuntos.
Com o final do ano mesmo à porta, apenas me resta deixar um obrigado e desejar boas férias à nossa atenciosa Professora Risoleta Pedro.
sábado, 30 de maio de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
Espaço Psicológico - Recta Final
Em "Memorial do Convento", Saramago mistura espaços físicos com espaços psicológicos, modifica pontuações, faz críticas sociais, é sarcástico, ridiculariza situações e personagens e por meio de ironia muitas vezes escreve.
Crítica ao que sinto agora não faço porque sei que irá compensar; triste não ando, mas cansado estou. Comparava-me com Saramago se dissesse que o meu espaço físico não se tem confundido com o espaço psicológico. Estaria certamente a ser irónico. Preenchido de confusões estou, na recta final caminho. Lágrimas já cairam por ter de "deixar" o que conquistei e me conquistou durante três anos. Influenciado por uma subrecarga de trabalhos escritos, orais e visuais o meu espaço psicológico invade o físico sem eu dar conta ou poder evitar. Há um tempo que já não sei o que é abstrair-me da escola e em nada pensar. Fisicamente estou sentado a escrever este post mas psicologicamente estou baralhado, triste, confuso e incerto perante o que ai vem. Não sei como vai ser, quem vou ter comigo, quem vai ficar e quem não vai. Design e classificações deixam-me triste pois um sentimento de partida e de "perca" lhes está associado. Tento não pensar, abrir os olhos e ver o brilho que já vi. Ele está cá, anda perdido, um ciclo está quase terminado, muitas recordações deixou. Um novo ciclo começará e para trás fica uma recta final complicada. Não sei quantas rectas finais terei, não importa para já. Guardar tudo não é final é certeza.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
45 minutos de leitura silenciosa em Memorial do Convento
Entra "El-rei", o silêncio que toma conta do palácio, príncipes e fidalgos apresentam-se de os olhos colocados nos livros, atentos, não reagem perante a presença imponente de D. João V. Sem barulho, como que se o palácio ninguém tivesse, injustiças são reflectidas, o rei é desrespeitado. Ninguém olha, ninguém venera, só as linhas compridas de livros proibidos são fervorosamente devoradas durante quarenta e cinco minutos intermináveis. Todos cumprem à risca o programado, El-Rei difama sozinho e continua com a ridícula construção da Basílica de S. Pedro. Furioso, deita abaixo os alicerces de toda aquela maqueta trabalhada. No palácio o estrondo é ouvido, mas como se nada fosse ninguém se move, ninguém respira, ninguém corre em auxílio do rei. D.João V como vários alunos da António Arroio não saborearam o momento, ruídos eram ouvidos nos corredores ainda que por breves instantes. Uma sala repleta de livros e silêncio, lábios quietos, apenas o virar de páginas era ouvido. Senti que no silêncio encontramos algo que raramente procuramos. Concentrados em páginas breves ou longas, percorremos e saboreámos segundo por segundo aqueles quarenta e cinco minutos de algo que parecia à partida impossível. Li um excerto sobre "A Profecia Maia" relativa a 2012. Embora que concentrado nas linhas quisesse ter estado, não consegui. O silêncio, os giz parado, o aristo na mochila, o compasso guardado e a professora a ler Mia Couto levaram-me para outra dimensão, longe de tudo, longe da sala de geometria, longe de todo o trabalho que temos de cumprir. Durante quarenta e cinco minutos em nada pensei, profundo fui e sobre o que li ainda não sei. Fragmentos sobre 2012 ficaram, mas da experiência ficou ainda mais. Concordo plenamente com a ideia e repeti-la deveríamos mais vezes. Pode ser que da próxima El-rei e quem não aderiu à ideia se junte e perceba que para além de linhas e letras os livros dizem muito mais...
domingo, 10 de maio de 2009
Dicionário da origem das palavras

- Pára Filipe! Estou concentrado a fazer o último relatório do ano, não quero baixar a nota, sabes disso mas continuas.
Parámos e estáticos ficámos a olhar para a "chefe" Risoleta. Fomos observados segundos que pareciam minutos, olhos severos e descontentes provocádos pela interrupção que causámos estavam abertos sobre a mesa menos ensonada da sala. Eram oito e quarenta e cinco da manhã e o sono juntamente com o tão cultural Dicionário das Palavras tomavam conta de uma das últimas aulas leccionadas à turma 12H na António Arroio.
Ficámos calados e percebemos o olhar, virámos a nossa atenção para palavras como "Abracadabra" que nos entretinham e nos levavam a reflectir sobre uma relação linguística e simbólica entre o dicionário e o Romance Histórico. Inicialmente não percebi a importância da leitura de um dicionário das palavras, não entendi o quão relevante poderia ser o significado de uma palavra banal inserida num contexto histórico e literário. Várias aulas passaram, vários "Filipes" me desconcentraram enquanto vários significados de palavras eram lidos. Percebo hoje que escrevo o relatório e que estou focado num só objectivo, o de ter boa nota, que Blimunda não abre os olhos sem comer em vão. Por trás de tudo isso há palavras, expressões e verbos que traduzem toda uma simbologia. Hoje também estudo para o teste, pena tenho de ter falhado na recolha de informação e relação linguística de palavras com o tema estudado na disciplina. Certamente com mais atenção os apontamentos que tenho agora redigir para o teste de Terça-Feira seriam mais elaborados. Triste não fico porque sempre o fiz, mas prometido está que palavras misteriosas do Dicionário não me escaparão mais até ao final do ano. Mesmo com o Lipe ao meu lado.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Saudades tenho de Pessoa

No estojo encontro papelinhos, vários assuntos estão escritos e tratados, apenas um me trás saudade. Sem que gozes não vives está escrito numa dessas folhas, de Pessoa me recordo e viver em primeira pessoa deixa de fazer sentido. Ricardo Reis mas principalmente Álvaro de Campos e a excentricidade e a exaltação pela máquina me invadem. Sou Campos agora e edificar um Convento como o descrito por Saramago vou. . Construi-lo, será simples com toda a tecnologia que disponho; homens a carregar pedras? Não, nada disso! O mundo é bem mais terra a terra. Saramago, evoluímos! Já não há Autos-de-Fé nem Passarolas. Existem aviões e tecnologia. Vivo a máquina, vivo no futuro e acordo. Volto a ser eu mas Mafra e os seus campos deslumbram-me, encanta-me tanto gado e milhares de homens a edificar tal monumentalidade. Vejo só isto e fico maravilhado, recordo tudo o que na minha aldeia vivi. Caeiro como nome tenho e não me canso de olhar e ver apenas isto. Se no meu tempo a Mafra tivesse ido, muitos esquiços conventuais, na Brasileira ou café semelhante, teria escrito. Nunca soube ao certo quem fui! Quem sou ainda me baralha. Escrevo sobre um Convento e não percebo. Ópio e vodka são o meu refúgio. Inteligente talvez seja, não sei bem. Sou fragmentado e agora só me recordo de uma frase: Tenho saudades das páginas Pessoanas que nos colavam ao manual de Português durante um período lectivo.
Regresso ao Eu, sem heterónimos nem complicações. Dobro os papelinhos e volto a colocá-los no estojo. Mesmo fechado a frase "Sem que gozes não vives" de Ricardo Reis ainda deixa em mim saudade.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Relatório (intermédio) - 3ºPeríodo
Sendo doze as entradas a fazer no blog ao longo deste terceiro período, penso que estou a ir pelo bom caminho. Tenho cumprido com a postagem de duas entradas semanais ainda que no inicio do período me tenha atrasado uns dias na colocação dos post e assim falhar com o cumprimento dos prazos. Considero este dado pouco relevante pois até à data coloquei já, as seis entradas que correspondem às três primeiras semanas do período. Ao escrever estas entradas, estive mais atento em fazer uma relação mais notória entre o quotidiano e os conteúdos leccionados nas aulas. Na concepção dos textos não me preocupei exclusivamente em relacionar bem as temáticas sugeridas pela professora, preocupei-me também em não escrever só sobre o tema fulcral que estamos a trabalhar nas aulas (Memorial do Convento de José Saramago) mas também sobre temas com menos relevância tratados e trabalhados durante as aulas como o "Dicionário da Origem das Palavras" e "Os Cadernos de Lanzarote". Utilizei como fonte de inspiração o blog do escritor José Saramago. Neste encontrei temáticas banais, histórias privadas e o mundo em geral tratado de uma forma literária muito própria e caracterizadora de Saramago. Com uma linguagem corrente e acessível este blog têm-me inspirado para redigir textos e relacionar as temáticas de modo a que sejam coerentes. Redigi textos muito próprios em que exprimo emoções e falo sobre acontecimentos reais como o texto "Lanzarote e Arrifana" e "Surf + tempo histórico hoje". Escrevi ainda sobre temas mais abrangentes e falados como o texto "Nobel de Saramago ". Relativamente ao período anterior e apesar de termos ainda mais trabalho acho que os meus textos adquiriram um carácter mais pessoal do que no período passado. Trabalho com mais tempo os textos, preparo-os com mais paciência e escrevo realmente o que sinto. Procuro histórias reais, uso metáforas e comparações para traduzir não só um significado mas para o leitor encontrar e reflectir uma posição a tomar perante o textos. Do blog, faz também parte, um trabalho de casa. Está presente nesse trabalho uma reflexão sobre música Barroca.
Considero positivo o resultado do blog até agora, vou cumprir com o resto dos prazos e continuar a empenhar-me para melhorar a minha performance a nível da relação da temática. Não tenho encontrado dificuldades em escrever sobre temas que sejam do meu interesse e que se relacionam com o conteúdo das aulas. Não sei ainda se o blog entrará na minha avaliação final pois vou fazer os dois testes. Dependendo das notas que tiver, decido se a minha "caixinha de pensamentos e desabafos" contará.
Considero positivo o resultado do blog até agora, vou cumprir com o resto dos prazos e continuar a empenhar-me para melhorar a minha performance a nível da relação da temática. Não tenho encontrado dificuldades em escrever sobre temas que sejam do meu interesse e que se relacionam com o conteúdo das aulas. Não sei ainda se o blog entrará na minha avaliação final pois vou fazer os dois testes. Dependendo das notas que tiver, decido se a minha "caixinha de pensamentos e desabafos" contará.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
TPC (Música Barroca)
Para uma corte da época barroca fui arrastado. Num ambiente festivo, em que o exagero, o luxo e o requinte de um salão de bailes que é caracterizado pela musicalidade de Domenico Scarlatti, agora mora o meu interior. Vestidos longos, laçarotes, danças complexas, olhares discretos, empurram-me para onde não quero chegar. Scarlatti toca e conforta-me, toma conta de mim e faz com que seja levado pela música até onde ela me deixar ir. Para lá do esperado fui, com D. Maria Ana dancei, o orgulho da vida estava estampado no meu rosto, memórias imponentes vêm-me à cabeça, sento-me e tudo o que é festa me passa ao lado. Descubro lapsos no meu inconsciente mas ergo a cabeça e volto ao salão.
Ao ouvir a sonata de Domenico Scarlatti, entrei rapidamente na corte de D. João V, toda a graciosidade e luxo me ocorria em pensamentos. A musicalidade traduz mais do que sons, leva-nos a entrar em ambientes e a criar emoções. Alterações de pensamentos e espaços físicos também se modificaram consoante as teclas pressionadas. Senti várias coisas ao mesmo tempo, boas que eram interrompidas por más, mas sobretudo boas. Fui levado ainda ao tempo de Catequese, coro de igreja. Musicalidade e intuição musical, não são das qualidades que melhor me definem, tenho uma opinião bastante própria sobre música e sobre o que sinto quando a ouço. Guardo para mim, pois só eu o sei.
terça-feira, 5 de maio de 2009
A mão de Baltazar

Passeio na rua e depáro-me com pessoas normalissímas mas que por azar são fisicamente debilitados. Não olho com pena pois acho que não é a posição que se deve adoptar. Penso e claro que me pergunto como seria se algo acontecesse com o meu corpo. Como reagiria perante o mundo "gozão" e incompreensível em que vivemos. Ambicionar e ver um sonho estragado por algo que não controlamos é triste e leva certamente a desesperar. Não sei bem do que escrevo mas Saramago a ajuda-me a ter uma opinião critica positiva com passagens como "A mão de Baltazar é rude e forte como ele". A derrota inicial de Baltazar não venceu à vontade de Bartolomeu. Baltazar rendido e pouco motivado viu posteriormente um objectivo alcançado. A Passarola voou mesmo com um gancho na mão. Certo para mim é que os sonhos se adaptam à realidade de cada um, para mim é obvio que não vou sonhar ser médico se média não tiver para entrar em medicina. As debilitações físicas não são destruições de sonhos nem maneiras de desistir de viver, são acontecimentos reais, infelizes, que nos fazem ver o mundo inicialmente de uma maneira negativa mas que com força de vontade e busca de novos interesses conseguem ser ultrapassados.
domingo, 3 de maio de 2009
Lanzarote e Arrifana

Em Lanzarote Saramago mostra ao mundo fragmentos de uma experiência de vida, em Memorial do Convento expressa uma vontade, a da Passarola e o Padre Bartolomeu voarem. Nas aulas lemos excertos onde o contexto histórico, a época e os costumes estavam explícitos. Escreve sobre o passado em ficção, sobre o passado verdadeiro e sobre o presente. Não sou escritor mas feliz fico por poder escrever também fragmentos sobre o meu passado, presente e futuro. Não construí uma Passarola mas voei, fiz planos antes de partir que foram superados com uma partilha de amizade entre dezasseis "monstros das bolachas" que fizeram de mim e da Arrifana as pessoas mais felizes. Estava rodeado de Fidalgos, Duques, Reis e Duquesas que não me ajudaram na construção de uma maqueta da basílica de S. Pedro mas que edificaram mais que um Convento de Mafra. Autos-de-fé não fizemos mas houve quem "morresse", eu morri , mas a minha morte está guardada em mim. Não dormi em camas, praia, terraços e chão chegaram para descansar e estar sempre pronto para o dia seguinte. Acordaram-me com panquecas e gelado, fui o Rei D. João V por dias. Senti tudo em oito dias, já passaram uns meses mas a chama ainda está acesa. Orgulho-me de ter a turma que tenho e prometido está que nada será esquecido, que tem todo o significado, significado esse que com o passar do tempo não desaparece, aumenta. Vivi tudo, se para Lanzarote fosse escreveria um caderno onde cada pormenor seria minuciosamente tratado. Não vivendo ainda na ilha escrevo apenas recortes do que foi uma das semanas mais felizes da minha vida.
Lisboa, 2009
sábado, 2 de maio de 2009
Nobel de Saramago

Deitado na , antes de entrar nas minhas reflexões inconscientes, escrevo por palavras meias o que outrora já tinha sido escrito. Em cima da mesa da sala, a revista Visão e uma entrevista centrada no Nobel de José Saramago captam a minha atenção e obrigam-me quase a levá-la na mão até à cama. Bastaram quatro parágrafos para que fosse obrigado a fechar a revista e a abandonar a leitura; já tinha adquirido informação suficiente para perceber todo o significado, orgulho e prestígio atribuído a mais um dos grandes escritores Lusos, este com a atribuição do prémio Nobel da Literatura. Traduzido em múltiplas línguas, com idades já de senhor continua em busca de sonhos, escrevendo memórias e reflexões em livros como os cadernos de Lanzarote. Apesar de uma iniciação como escritor numa fase já tardia da sua vida, Saramago deslumbra através do seu estilo literário. Sonhou desde pequeno e conseguiu ver publicadas várias obras relevantes a nível mundial. Com isto e sem conhecer ainda todas as linhas de uma entrevista com cerca de quinze páginas, adormeço com a ambição de sonhar e descobrir capacidades, com a necessidade de perceber se mesmo velho terei motivação, iniciativa e vontade de ser o que Saramago sonhou.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Surf + tempo histórico hoje

Prancha na mão, mochila, barbatanas amarradas e com o Francisco bem disposto a gritar IUHHHHUHHHH, saio em Mafra para apanhar o autocarro com destino à Ericeira onde a praia e as ondas estavam à nossa espera. Com a paragem em frente ao grandioso Convento de Mafra e estando precisamente nesta altura a estudar o Memorial do Convento de José Saramago olhámos o monumento e fixámo-lo; durante um minuto nenhum de nós falou. Habitual passar ali e apanhar o autocarro em frente ao Convento era, só nunca tínhamos percebido o toda a história traduzida por toda aquela monumentalidade, e o porquê do Convento existir ali. Rapidamente desligámos, o autocarro chegou. Até à Ericeira conversas sobre o Rei D. João V, Autos-de-Fé, Memorial do Convento e José Saramago tomaram conta dos bancos traseiros do autocarro que ia passando aldeias até chegar destino.
Ribeira D'ilhas, dez horas da manhã, boas ondas e vontade de entrar, meteram-nos rapidamente no mar e sentados nas pranchas a ver o sol ficámos até que a próxima onda deixasse que a surfássemos. O Francisco questionava-se como seria se o Convento fosse construído hoje, se teria morrido tanta gente, que materiais seriam utilizados, quem o mandaria edificar e quais as razões. Entre ondas eu tentava responder, mas ia ficando cada vez mais confuso e baralhado com tanta pergunta. Respondi-lhe que era impossível o Convento ser construído nos tempos de hoje com toda aquela monumentalidade e que as razões que levaram o Rei D. João V a mandar edificar o Convento não poderiam obviamente ser as mesmas que as do tempo de hoje. A conclusões chegámos; a mãe de Blimunda não seria morta pela inquisição porque Autos-de-Fé já não os há, Bartolomeu não construiria certamente a Passarola porque o tempo evoluiu tecnologicamente, o Convento não era mandado construir por um Rei mas sim por um Município.
O diálogo Conventual estava tão animado que o Francisco apanhava ondas e no tudo já gritava Blimundaaaaaa! e levava com a espuma toda em cima.
Chegado a casa depois de ter levado O Rei D. João V, Baltazar, Blimunda e Bartolomeu a surfar reflecti que nunca tal tinha acontecido, nunca tínhamos ligado ao Convento nem a nada com ele relacionado. Percebi também que culturalmente tínhamos ganho o dia e que as aulas de português não servem só para ler as aborrecidas linhas "mal pontuadas" de Saramago
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