
Trazido de uma sexta-feira acompanhada pela luz ofuscante do computador no quarto, escuro, onde o ar é mais pesado que as proprias palpebras, olhando de cinco em cinco minutos para as horas, perguntando-me se estaria na hora de ir fumar o cigarro que tanto espero. Por cada passa dada no cigarro segue-me a confusa consciência de todas as outras. De que valeu uma noite compoturizada se poderia estar noutro lugar, onde a consciência não se revela importante, ou nem sequer se revela. Estar num carro monótono, abafado por mentalidades positivamente críticas.
Quase no ultimo bafo do cigarro consciente, consigo mesmo entrar no pensamento que estava a ter. Estou agora no carro.
Estranho sentimento este, que me interroga. Como é que neste carro apertado me sinto mais confortável que num quarto imenso onde só eu me encontro? Talvez porque a ideia de conforto nao se redime só a um estado fisico, mas tambem a uma questão afectiva. Orgulhoso de quem está perto, aproximo-me ainda mais e descubro que já fomos bem mais pequenos. Não considero ninguém crescido mas admito que já cresci. Há um tempo eram brincadeiras, criançadas e risadas estúpidas. Agora são brincadeiras, criançadas e risadas que quase tocam a maturidade. Não a atingem mas dão para crescer. As opiniões dispersam-se e com toda a vontade que tenho de as ouvir, a preocupante hora de ir para casa faz com que desligue de algumas. Nesse mesmo momento reparo que o camião da recolha de lixo ainda não passou. Debatendo isto dentro do embaciado carro chegamos ao concenso de que a hora de sábado tem mais uma. Ou seja vinte e cinco reunidas num dia.
Coisa rara. Infelizmente. Certamente haverá mais. Apenas teremos de encarar os dias de vinte e quatro, como de vinte e cinco. E quem de vinte e cinco tira? Perde uma hora, perde um dia como o de hoje.
2+4 = seis horas da manhã, apago o cigarro e espero pela hora de Sábado.
In Carro, Francisco Martinho, Inês Atienza, Miguel Rosa, Ricardo Almeida, Rodolfo Feitor, Ruben Rodrigues, Tiago Secca, Tomás Batarda, 2010.
(Alfabeticamente organizado e redigido na hora 25 de Sábado)

"Aprende brincando!" Nesse instante, o tempo andou uma hora para trás, mas ficaste uma hora mais velho.
ResponderExcluirA Maturidade meu amigo, não impede a diversão, torna-a inteligente!
ResponderExcluirÉ verdade sim meu caro amigo, sem qualquer dúvida, e somos um bom exemplo
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