domingo, 17 de outubro de 2010

Ricardo Reis-
















Cada dia sem gozo não foi teu

Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.

Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.

Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000

Frutos, dão-os as árvores que vivem,
Não a iludida mente, que só se orna
Das flores lívidas
Do íntimo abismo.
Quantos reinos nos seres e nas cousas
Te não talhaste imaginário! Tantos,
Sem ter perdeste
Sonhos, cidades!
Ah, não consegues contra o adverso muito
Criar mais que propósitos frustrados!
Abdica e sê
Rei de ti mesmo.

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000

Nenhum comentário:

Postar um comentário