sábado, 7 de fevereiro de 2009

Metropolitano de Lisboa










Cada dia sem gozo não foi teu
Cada dia sem gozo não foi teu
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!
Ricardo Reis | 14 - 3 - 1933

Mais uma manhã mais um dia do quotidiano

Sozinho, em profunda reflexão no metropolitano de Lisboa olho à volta e penso se tudo o que vejo é apenas o que os meus olhos observam e questiono-me o que estará por detrás de cada ser humano que está sentado na carroagem. Divago em incertezas sem chegar a uma resposta concreta, cada pessoa tem a sua chama, a sua vontade própria e a liberdade de fazer o que quer. Entre rostos adolescentes vejo incerteza naquilo que são, risos esforçados, que surgem de actos sem piada mas que fazem os amigos rir. “Sem que gozes não vives”. É verdade mas não pode ser levado ao extremo.

Certamente várias caricaturas estariam sentadas naqueles bancos sonolentos naquela manhã fria. Ninguém é aquilo que veste ou que tem, todos usamos truques que nos indusem e indusem os outros ao que não é a realidade.

Um comentário:

  1. Correcção: "carruagem".
    "induzem"

    Aqui está um excelente exemplo de como é possível relacionar o elemento, o programa e o quotidiano. A própria cor da imagem reforça esta ligação.
    R

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