quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Apresentação em Bangkok




Partindo do planeado tempo e tendo em conta que tens 20 minutos dos quais 9 se focam numa apresentação digital, 7 servem de espaço para questões e os restantes 4 são deixados a teu critério, conta-me o que fazes.

Não revelando o seu nervosismo interior, Ricardo apenas responde que o tempo não lhe pertence nem o define, portanto não levou qualquer tipo de objecto digital ou material para expor. Justifica-se sublinhando não ter paciência para opiniões terceiras que apenas se reflectem em notas obtidas através de ridículas comparações interpessoais.
Sem deixar nada por dizer e sentido-se orgulhoso, Ricardo afirma que o facto de não ter entregue a apresentação só o deixa motivado. No fundo sente que ninguém, nem mesmo os banais júris, necessitam saber nada sobre si nem sobre o modo como trabalha.
Arquivadas em pequenos diários gráficos, estão ideias, teorias e razões explicativas do modo como actua. Somente tendo acesso à ultima página de um dos seus cadernos, percebi que Ricardo planeia algo grande.
Sem universidade feita, sem regras definidas ou rotina repetitiva, redigiu apenas: Bangkok + 1 mês + Mereço. Não o conhecendo não consigo perceber o porquê de o fazer nem mesmo a razão pela qual o acha merecer.
Questionando-o sobre, responde friamente: Porque não fazê-lo? Acredita que vou, estou só a juntar algum dinheiro e em breve terei a passagem em mão.
Uma mensagem persuasiva, uma ideia brilhante para fazer o dinheiro necessário num curto espaço de tempo e uma mochila, são o suficiente para passar um mês entre a misteriosidade Tailandesa, o calor do Cambodia e o desconhecido Vietname. O facto de não ter nada certo é o motivo que me vai fazer mexer e lutar por este sonho e ambição nos próximos meses. Estar lá é a certeza, quando a incerteza, como o desafio.

Desenjando o melhor para Ricardo me despeço. O Jonathan precisa de ajuda na cozinha. O alemão é insaciável, nunca satisfeito nem mesmo depois da brilhante apresentação de 20 minutos que teve. Se há quem em 20 minutos revolucione também à quem em 20 minutos se perca em sonhos. Os 4 restantes são apenas para dizer que hoje também apresentei algo. Foi bem diferente da apresentação do Ricardo ou do Jonathan. Desta e provavelmente pela última vez, fi-la como deve ser feita.
Agora mudei de página. Boa sorte Ricardo, Parabéns Jonathan.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Antes de Dormir


















Antes de dormir embarco sempre em grandes viagens, hoje, e por ser um dia como outro qualquer, apetece-me antes de viajar escrever algo que vá-lha a pena.
Segundo o livro do nada, que é o que tenho lido nos últimos tempos, e segundo o que é dito na página dezanove deste: "Nem todos temos de nos reger seguindo rótulos que a sociedade nos impõe".
Enquanto como a minha Sandwiche e rabisco neste caderno, atento a veracidade da frase citada no livro acima referido e a importância que esta pode ter naquilo que somos perante o quotidiano.
Claro que não sou especialista a fugir ao sistema, nem é isso que quero ser. Procuro um recanto motivador e que ilustre um modo de vida apetecível.
Como tudo, a sociedade fálha, podemos encontrar "buracos" na maioria das coisas que observamos, embora estas estejam feitas de modo a que não nos apercebamos. Não são fáceis, nem perceptivelmente decifráveis, mas da junção do indecifrável e do poder de uma mente motivada e criativa acredito que haja espaço para reconstruir "buracos" ou dá-los a conhecer numa perspectiva não comum.
Exemplificando com uma ideia breve sugiro: O povo Português tem problemas com a sua língua mãe. De que modo pode isto ser resolvido? Criando plataformas que permitam o conhecimento em grande escala e com um público alvo muito abrangente do que é a nossa língua mãe e como esta se formula e se propaga. Porque que motivo não são comuns os jovens que lêem livros com frequência ou consultam websites de literatura? Talvez isto aconteça porque o nível de escrita utilizada não esteja ao alcance de qualquer um ou talvez porque a sociedade está a evoluir e o modo como este tipo de comunicação chega ao público alvo não seja o melhor.
Criar soluções para pequenos grandes problemas podem, perante a crise sentida, ser uma mais valia a nível cultural, tanto pelo lado individual bem como perante o modo como o povo é regido pela sociedade.
Não seria possível que uma imensa população se torna-se nesse tipo de pessoa. O que pretendo transmitir é o facto de acreditar que o talento tem de ser aproveitado da maneira correcta.
Escapar deste modo pode ser a solução, tudo depende de quais os objectivos pessoais. Se considero não ser o mais talentoso ou não estar entre os cem melhores, porquê continuar a esforçar-me para ser como eles?Se continuar focado só nessa ideia, a de que tenho de ser melhor que alguém, não irei nunca sê-lo.
Sugiro a expansão de horizontes e o pensamento segundo sobre o que primeiramente foi pensado. Sugiro ainda a procura insaciável do que individualmente pode ser chamado de felicidade/ vivência. Se achares que nunca és feliz aproveita os pequenos momentos e desfruta-os como se não os pudesses relembrar.
Cria, inova no meio da inovação, não queiras ser melhor comparativamente a alguém, mas compara-te a ti mesmo e sonha.
Se tens dúvidas, não as tenhas, junta os melhores e fica a saber mais que eles. Motiva um grupo e faz com que ideias surjam em cima da mesa. Ai poderá estar a solução para a fuga à rotina 8h ás 13h e 14h ás 20h.
Já que não vivo porque sonho demasiado, vive tu e desfruta. Acredita porém que um caderno, um bloco de post-it's, uma caneta e uns quantos esquemas te podem dar mais gozo que o sonho que achas irrealizável mas que continuas a desejar.
No papel realizas o que queres, mesmo que não realizes, fechas o caderno e ningúem fica a saber.

Acordar de manhã não será fácil pois já são 4h40m e o despertador toca ás 7h40m.
Abrindo uma excepção, hoje não terei oportunidade de viajar mas acredito que estes rabiscos compensem para a viagem de amanhã e futuras.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Até já Rebeca















Se não saltas tu, salto eu.
Saltei, vou chegar primeiro e descobrir o quão fundo este frasco de maionese é. Não voltei a falar com a Rebeca, não lhe pude contar a grandiosidade do salto e a sensação de liberdade sentida. Desculpa, pensei. Não devia tê-lo feito. Em grande parte das coisas tens razão e nesta nem sequer existe um "se".
As pedras deixaram-me inconsciente e a corrente levou-me para o infinito. Rebeca chora lá em cima, vejo tudo nublado, parece que estou morto. De facto estou, apesar de continuar a ver as sirenes dos bombeiros, os mergulhadores a prepararem-se para me tentar resgatar, não consigo reagir. A inércia apoderou-se de mim.
Primeiramente os meus pensamentos só se direccionavam para aquilo que sentia por Rebeca, nada mais me ocorria, estava mentalmente bloqueado.
Apaguei de vez e a temática mudou. Percebi realmente o que é a morte e é bem diferente do que o que o senso comum afirma ser.
Dou neste momento ênfase ao que defacto fui e áquilo que fiz. As pessoas que me rodeavam, a vontade que tinha de viver e o medo/curiosidade que se apoderava de mim dentro de autocarros filosóficos.

Durante o meu tempo de vida sonhei com tudo aquilo que gostava mesmo de realizar. Concretizei muitos dos sonhos que planeei mas acima de tudo desfrutei de coisas estúpidas, inacreditáveis. Por vezes esqueci-me de dar valor ás pequenas coisas e secalhar ás grandes também. Sonhava constantemente que quando tinha oportunidade de realizar esse sonho, não lhe dava o valor necessário. Denotativamente era conhecido por ser pequeno e pouco mais. Conotativamente poucos me conheciam, sempre fui reservado em tempos que considerei fulcrais, motivado e irrequieto em tempos de maior alegria. Nunca fui excêntrico, mas fiz algumas excentricidades. Curiosamente Rebeca foi das coisas mais excêntricas que fiz. Apaixonei-me e perdi-me no tempo. Não pus de lado o que considerava importante mas dei à miúda umas quantas coisas boas. Não tive filhos nem casei.
Agora estou morto e da morte espero ainda mais que da vida. Desta vez não poupo dinheiro para viajar porque me encontro numa viagem constante, vejo tudo de cima, controlo o que sou e faço, sem medo, o que durante vivo não fiz.
Neste preciso minuto estou com o Pedro,mortos, num clube de Strip a comer um frasco de Maionese e a jogar snooker.

-Pedro passas-me a rebeca? A mesa é tão grande que com o meu tamanho não consigo chegar ás bolas. Preciso mesmo de um auxiliar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Polónia na folha
















Mais uma vez uma combinação de emoções indescritíveis, comboios, personalidades e cultura de graça descrevem claramente dez dias extonteantes. Saído de Birmingham dia 2 de Novembro de 2011 por volta das 8H da manhã em direcção a Katowice, iniciei com grande "pica" aquela que até agora afirmo como a experiência mais enriquecedora culturalmente que já tive.
Não querendo, levei o trabalho na cabeça. Tentando metê-lo de lado, este foi o grande drama. Infelizmente e já habituado a que isto aconteça irrito-me facilmente comigo por não saber o que quero para trabalhar. Irrita-me estar no terceiro ano da faculdade, estudar design à cerca de 6 anos e só agora me ter começado a aperceber que secalhar não é nada disto que quero. (Até é mas não do ponto de vista de um designer). Pelo meio, expludo mentalmente com ideias estúpidas que me fazem sonhar e acreditar no meu sonho actual. "Fazer do meu trabalho uma viagem."
Estou em erasmus, divirto-me à grande, conheço e volto a conheçer, descubro mas por vezes considero-o forçado. Isto é tudo tão confuso que traduzir por meio de uma caneta também se torna complicado. Considero-me um "livin' life", mas por isso penso demasiado.
Olho em volta e vejo em todos os que me rodeiam um interesse particular por uma área específica. Todos pesquisam, todos lêem, todos são culturalmente ricos. A questão é: Que faço eu no meio desta gente se não tenho particular interesse por nada? Apenas por sentir o que passa, guardá-lo e reflectir sobre ele para oportunidades futuras. Até sei a resposta a isto, ando a descobrir o que gosto mas na prática.
Sinto-me esgotado de pensar mas encantado com a vida que levo. Quero comunicação, quero perceber o que gosto, quero fazer da vida um jogo fácil em que o tempo é ilimitado e não se traduz em pensamentos estúpidos mas sim em recordações memoráveis.
Deixando-me de merda e colocando no OFF o modo mental em que a minha cabeça divaga ocasionalmente, passo agora a descrever o que realmente marcou.
Encontro-me agora no aeroporto de Katowice, sozinho e com o maior sorriso do mundo na cara. Mostrando-me disponível a conhecer, rapidamente encontro quem viaje comigo. Táxi, estação de comboio, kebab e inglês tosco com a explicação do ponto de vista Poláco do que foi a segunda Guerra Mundial. O rapaz foi impecável e ficou comigo todos os segundos que precisei. Considero que a sorte me tem vindo a seguir, esteve implícita nesta viagem. Aqui e ainda com o rapaz conheço a "Gaia"(Rapariga Poláca). Esta, faz comigo as seis horas do primeiro comboio nocturno. Aqui começaram as primeiras fugas ao pica, não importam os motivos desta mas valeram a pena. Artista plástica, open-minded, mas ainda naõ foi desta que me "casei" num comboio.
De novo táxi e o reencontro com a Cata, abraço apertado seguido da frase: "Vai dormir, não desfaças a mala que amanha arrancamos bem cedinho". A pica era tanta que mais uma vez acabei por só dormir duas ou três horas. Não sabia ao que ia, apercebi-me mais tarde. Para começar com graça, perdemos logo o primeiro comboio. Isto foi motivo para o "menino" Mica me ter repetido insaciavelmente que a responsabilidade de tal situação era minha. Brincalhão aquele rapaz, sábio nas palavras, génio mental.
Apanhámos o comboio em direcção a Krakow. Encontro-me agora com o Mica, Mira, Catarina, Vítor e Carla. Bons viajantes. Ráli tascas em Krakow e uma ida para a cama um bocado roda gigante. Mais uma noite com um sono de duas horas. Desta vez em casa da Doménica acordo para aquele que considerei o ponto alto da viajem: Auschwitz. A segunda guerra mundial não é algo que esteja bem claro na minha herança cultural, como disse anteriormente, acabo por conhecer as coisas vivendo-as.
Foi o que aconteceu, Fiquei parvo com o que vi. A Paulinha bem avisou "Vai mas olha que é pesado". Voltei a ver filmes como o Pianista ou a Vida é bela, cenários autênticos e coerentemente descrito pela guia que nos fez a visita. Foi arrepiante mas bastante enriquecedor.
Seguido a isto, comboio nocturno com destino ao hostel Emma em Varsóvia, Capital Poláca. 6H da manhã frio arrepiante, noite que não foi noite, botas preparadas para um dia em cheio.
Opá cansei-me de relatar isto, se quisesse dizer tudo tinha tirado fotos ou feito um vídeo. Ainda fui a Lodz, Wroclaw, Katowice e espero chegar bem a Birmingham.
Fuckin' Life, adoro isto. Obrigado Catarina, Micael,Mira, Rui, Augusto, Xana, Robs, Vitor, Carla, Iolanda e a outra Catarina.

Katowice, 13 de Novembro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

Questão em Camden Town



Sensação do sentir e ter que o escrever. Não perder, observar e progredir. Não que a perca seja algo desmotivador mas se poderes ganhar, ganha. Citando palavras do génio Steve Jobs "Your time is limited, so don't waste it living someone else's life". Observa para poderes decidir e progride para o que o teu profundo te induz e não para onde a tua cabeça e os teus mil pensamentos diários te levam.
Sem ter que o justificar passo do sensasionalismo ao concreto, o que realmente foi o meu "underground" de hoje. Actualmente deparo-me com uma das questões mais confusas que alguma vez coloquei a mim próprio. Viver o mundo é diferente de observá-lo. Para que o vivas, regendo-me pela sociedade que me foi dada a conhecer,tens de ter uma casa, um carro, pagar impostos e acima de tudo, impressionar alguém que acima de ti está. Tudo isto para que ninguém te dê o valor que consideras ser merecido. Com isto digo: não chegas a vivê-lo, és controlado por Governos estrategicamente organizados, irreais e supérfulos. Por outro lado observá-lo, não é só conhecer estas regras e cumpri-las. É também procurar, tendo um ponto de referência, uma maneira de as contornar. Sem que isto prejudique o que te rodeia podes fazê-lo. Olha, observa. Encontra os buracos do sistema/sociedade . Nesses buracos poderá estar a tua liberdade.
Apesar de ainda não ter encontrado nenhum, acredito porém, que o vou descobrir. Sem esse buraco considero que não irei nunca chegar, nos meus ideais, ao que subentendem por felicidade.
Abreviando a minha confusão natural, a questão que diariamente me deparo aqui em Birmingham (como estudante que procura um futuro) é: Sim gosto de viajar; terá isto necessariamente que me retirar da minha base? (Portugal/ Família/ Amigos).
Estarei eu a confundir turismo com trabalho? Geralmente confundo tudo, crio um cubo mágico inigmático de ideias ao qual nem eu mesmo sei a resposta.
Confusão das confusões! Voltar, voltarei certamente àquilo que neste segundo considero a minha origem. Esquecendo os segundos, a questão fulcral é porquê voltar? Permitir-me-á a merda da economia observar o mundo?

Observá-lo-ei independentemente disso.

London, Camden Town

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011