domingo, 15 de fevereiro de 2009

Concluir













Lisbon Revisited (1923 )

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Álvaro de Campos

Debruçado na secretária numa noite gélida de Inverno com a intensa chama da lareira a arder, concentro-me numa das suas brasas e vejo nela um sinal de esperança,, um motivação.
Ergo a cabeça e a minha consciência entra num caminho cíclico de questões e respostas. Pergunto se tudo o que tento alcançar vai ser possível? Sei que iria gostar que isso venha a suceder , mas ao mesmo tempo surge no meu labirinto mental a contra resposta ao meu inconsciente. Tu consegues se acreditares, se viveres o que és, mas será que essa é a tua feliz conclusão? Não quero nada mas quero tudo, tenho tudo mas anseio sempre mais e melhor.
Disperto e logo me desligo do assunto pois sei que este labirinto não me induz a nada. Planeio e tento vencer e alcançar. Vivo cada dia sem conclusões pois concluir é morrer.

Incertezas











O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

Ricardo Reis

De dentro da sala observo o rio, observo o claro, só convigo divagar no escuro. A sonolência sentida na sala, leva-me por momentos a cerrar os olhos.
Não me chateio com nada, mas tudo me irrita, estou empenhado no que faço mas ainda assim distraido. Abro a mochila e descubro uma carta de memórias que me faz divagar no passado. Desligo da aula e entro num ambiente bem menos complexo, sem rectas, planos ou rebatimentos.
Rebato-me para as memórias e revivo o que outrem fui em pequenos fragmentos de tempo.
Outros dias lanço-me perante o futuro em profundas reflexões sobre o que sonho, anseio e planeio.
O meu presente é confuso mas determinado, realista e vivido. Acholhe-me mas não paro de ansear o futuro e recordar o que fui.
O fogo não terá lugar nesta entrada, nem sempre a chama brilha, nem sempre a vontade de seguir em frente está acessa acesa, nem todos os dias podemos viver com um sorriso.

Relatório - 1ª Etapa do trabalho individual











Apôs algumas semanas de escrita e de várias reflexões a tentar da melhor maneira reunir o fogo, o quotidiano e Fernando Pessoa, verifico através do meu consciente e dos comentários feitos pela professora no blog, que tenho vindo a desenvolver um trabalho positivo. Tentei desde ínicio utilizar poetas e poemas como referência para as minha reflexões. Com isto, tenho tentado da melhor maneira resolver o problema e não tem sido difícil adquirir material para escrever/ reflectir. Sinto o que escrevo e penso sempre no próximo texto e em como é que vou relacionar o três elementos. Tenho todos os textos elaborados mesmo que alguns entregues fora de prazo.
Contudo elaborar os textos a tempo e horas tem sido bastante complicado, pois todo o tempo livre que temos durante a semana, é gasto em trabalhos de casa para várias disciplinas e FCT. Tento com isto explicar alguns atrasos tanto a nível de turma como a nível pessoal.
Tenho estado a achar a ideia do blog e das reflexões bastante boa visto que este período só iremos ter um teste, logo se me esforçar e me empenhar neste trabalho e no teste irei obter uma boa classificação.
Com o trabalho tive a possibilidade de encontrar por meio da escrita, algo que me torna mais forte, descobri nela uma maneira de libertar os sentimentos, as emoções e o que não posso dizer sem que todos ouçam. Adquiri a possibilidade de em vez de prendas inacessíveis economicamente, oferecer apenas um simples texto que se torna mais relevante que uns meros euros.

PS: ultimamente o meu acesso ao computar e à Internet em casa tem sido limitado, por esse motivo só tenho conseguido por os textos ao fim de semana. Posto hoje também mais duas reflexões.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Lisboa chuvosa










Acordo com o entusiasmo de ter uma visita de estudo, apanho o autocarro e sigo para a baixa-chiado. Em pleno largo de Camões, encontro os vários elementos da turma que iriam comigo conheçer a Lisboa Pessoana. Entre fotografias, rostos chateados devido à chuva que se fazia sentir, risos e conversas encontrámo-nos com o guia que nos iria dar a conheçer os locais por onde Fernando Pessoa tinha passado em vida. Chuvia intensamente e a voz do guia, este com bigote, olhos azuis e de chapéu de chuva colocado no punho, mal dava para ser ouvida por todo o grupo que atentamente o tenta escutar. O primeiro encontro com o guia deu-se no largo do teatro de S. Carlos onde está situada a primeira casa de Fernando pessoa. Um prédio tradicional lisboeta com varandas, amarelo e com traçados pintados de branco. Neste local entusiasmei-me com a máquina fotográfica e fiz uma sequência de fotos do local e foquei-me nos candeeiros lisboetas presentes naquele local. Seguimos a visita, e sem grande atenção da minha parte para com o guia, esta também devido à chuva, fui tirando fotografias, ouvindo os poemas de Pessoa a serem lidos e a ter conversas paralelas ao assunto em contexto com os meus colegas de turma.
Fotografei e adquiri informações relevantes relativas a locais de culto de Fernando Pessoa. Uma Igreja, a Brasileira, a loja dos Charutos, e cafés frequentados pelo poeta foram-nos indicados como locais de referência para Fernando Pessoa na sua época. Conhecemos também aspectos relevantes sobre a vida e obra de Fernando Pessoa.
Entre tudo isto também tive o meu momento de leitura de um poema para que o grupo ouvisse. Enquanto lia e apôs tê-lo lido, percebi o quão importante era termos realizado a visita de estudo. Encaro-a como uma fonte de motivação e cultura perante um tema importante literário que temos estado a estudar.
Percebi o quão Fernando Pessoa foi importante para toda uma sociedade, revelou uma ideia futurista perante o mundo em que viveu, e apesar de viver na geométrica cidade de Lisboa conseguiu atravês de héterónimos descubrir o mundo à sua maneira, vivendo apenas para a Poesia.
Perante a atenta mas distraida realizada no ambito da disciplina de Português faço um comentário positivo, apesar de ter chovido e de todos os se não’s daquele dia, conseguimos descubrir e adquirir cultura, tendo passado pelos sitios mais marcantes que o nosso tão prestigiado Fernando Pessoa viveu e poetizou.

Inspirações









Como fonte de inspiração para o que reflicto, penso e escrevo utilizo muitas das vezes um web site que realizei para a disciplina de Projecto e Tecnologias, durante o primeiro período. Este web site contem biografias e poemas relativas a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos.

link: http://www.fernandopessoa.pt.vu












“AMOR É UM FOGO QUE ARDE SEM SE VER “

Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões

Acordei e nessa mesma manhã apaixonei-me por quem menos queria, um sentimento forte entrou em mim e quando o percebi era tarde, estava preso. Apaixono-me e descubro que não vale a pena, se vale é temporariamente pois a longo prazo acabamos por sentir algo mais que a bonita paixão dos beijinhos e dos abraços. Sofremos mas o que vem sempre à memória são os momentos bem passados, as alturas em que nos divertimos e que sabemos que estamos mesmo a amar. Cometemos loucuras e somos capazes de enfrentar os maiores perigos para proteger alguém que julgamos amar mas que nos atraiçoam e são incompreensíveis.
Desconhecemos o que pensam o que querem e mesmo assim investimos em algo que em nada dará. Julgamos por vezes os amigos para protejermos alguém que conhecemos à meros dias.
Não julgo este sentimento pois senti-lo é como uma viagem para longe onde durante longos dias não ligamos a nada e andamos contentes, rindo, pulando e gritanto de alegria. Explodimos com os maus momentos e é isso que nos faz agir sem pensar e perguntar o porquê de estarmos com aquela pessoa. Acabamos sempre por esquecer e voltar e repetir as mesmas brincadeiras. Um dia algo irá “queimar” toda aquela fogosidade amorosa.
Algum dia irás ficar a pensar se estiveste certo ao te envolveres em algo sério.
Algum dia te arrependerás da vida e vais decidir fugir, ser outrem ou divagar entre alcool, tabaco e versos.
Algum dia perceberás quem és…
Mas “ Sem que gozes não vives ”

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Palavras perdidas











Sonho, cresço, aprendo, vivo, amo, iludo-me, descubro, encontro, percorro, ganho , perco; sou o que poucos conhecem!
Sonho porque sonhar é vontade de viver.
Cresço e acompanho o que me rodeia.
Aprendo que nem tudo é o que vejo e adiro.
Vivo cada momento.
Amo como a fogosidade de uma chama.
Iludo-me mas aprendo.
Descubro que cada piscar de olhos trás algo novo.
Encontro o que nem sempre quero.
Percorro a linha da amizade.
Ganho a cada momento o que futuramente perco.

Arrumar o quarto











Domingo , apôs algumas repetições para que arrumasse o quarto decidi agarrar no monte de roupa espalhada e levá-la para o cesto. Por baixo de todas aquelas lãs encontrei um albúm com fotografias de quando ainda não tinha personalidade definida.
Parei, abri-o e ao olhar para uma fotografia, já antiga e ligeiramente queimada pela chama de um isqueiro questionei-me o que era a personalidade, e se já a tinha definida. O queimado da imagem fez-me reflectir e chegar a achar que não valia a pena baralhar-me com este assunto, a chama cravada na foto fez-me sentir a saudade de todos os tempos em que não tinha personalidade, chegar a perguntar-me se eles existiram mesmo?!
Percebi segundos depois que sim, tenho a minha personalidade, não talvez a que me caracterizará no futuro, pois: pessoas, ambientes lugares, trabalhos fazem-nos crescer ou regredir, definem-nos e caracterizam-os perante os outros.
Fecho o albúm e reflicto a cada momento quem sou. Irei saber em breve? Saberei algum dia?

Por dento de uma turma













"A aranha do meu destino"

A aranha do meu destino
Faz teias de eu não pensar.
Não soube o que era em menino,
Sou adulto sem o achar.
É que a teia, de espalhada
Apanhou-me o querer ir...
Sou uma vida baloiçada
Na consciência de existir.
A aranha da minha sorte
Faz teia de muro a muro...
Sou presa do meu suporte.

Fernando Pessoa 10 - 8 - 1932

Sentado e observando rostos atentos decido reflectir sobre o que vejo. Várias culturas, diferentes interesses, personalidades estão espalhados pela sala. São constantes as faltas de atenção, os sorrisos os bocejares, os lápis a riscarem a páginas a serem viradas. Olhos fechados surgem de vez em quando, são intensos e lembram aos mais atentos a fogosidade de um pensamento, a intensa reflexão sobre algo como que se a vontade de viver a esperança (elemento fogo) ardesse sem mais parar.
Tento perceber nestes momentos em que é que cada um pensa, se têm uma opinião idêntica à minha quando reflectem sobre a turma.
Apesar de já conhecer o suficiente cada um para ter uma opinião formada, ainda me questiono se são mesmo assim?! Se há algo mais que me fascine por descobrir?!
Por incertezas divago e não encontro respostas, cada piscar de olhos diz algo novo sobre nós, coisas que por vezes nem nós conhecemos.

Variação de humor













Nem todos os dias acordamos com o mesmo pensamento, uma estranha variação de humor que nos escolhe cada manhã. Dias sem sol, sem vontade de acordar com chuva, em mim tem influência, esta que me deixa num dia “não” perante o longo dia que tenho de enfrentar.
A chama não brilha nesses dias, o que não significa que nessas alturas seja criado em mim um heterónimo. Irrito-me facilmente mas tenho uma justificação credível para isso.
Seria considerado um heterónimo se a minha personalidade mudasse consoante a companhia, o ambiente ou perante uma necessidade profissional. Poderia também ser considerado um heterónimo se por não me sentir bem com a pessoa que sou ou por mera fantasia decidisse fazer-me passar por algo ou alguém que não sou mas que venero.
Tudo tem influência no nosso sentido humor, pequenas situações alteram-no sem nos apercebermos, consomem-nos por momentos e são novamente alteradas.

Metropolitano de Lisboa










Cada dia sem gozo não foi teu
Cada dia sem gozo não foi teu
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!
Ricardo Reis | 14 - 3 - 1933

Mais uma manhã mais um dia do quotidiano

Sozinho, em profunda reflexão no metropolitano de Lisboa olho à volta e penso se tudo o que vejo é apenas o que os meus olhos observam e questiono-me o que estará por detrás de cada ser humano que está sentado na carroagem. Divago em incertezas sem chegar a uma resposta concreta, cada pessoa tem a sua chama, a sua vontade própria e a liberdade de fazer o que quer. Entre rostos adolescentes vejo incerteza naquilo que são, risos esforçados, que surgem de actos sem piada mas que fazem os amigos rir. “Sem que gozes não vives”. É verdade mas não pode ser levado ao extremo.

Certamente várias caricaturas estariam sentadas naqueles bancos sonolentos naquela manhã fria. Ninguém é aquilo que veste ou que tem, todos usamos truques que nos indusem e indusem os outros ao que não é a realidade.

Quotidiano

Em qualquer situação do quotidiano nos deparamos com máscaras que não conseguimos identificar, umas por ser assim que se sentem melhor, outras por maldade e ainda outras sem explicação

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Elemento fogo














Visto que o objectivo fulcral deste trabalho é relacionar o quotidiano, o nosso elemento (o fogo no meu caso) e Fernando Pessoa, decidi iniciar o blog com a postagem de um dos textos que realizei sobre o meu elemento.

- FOGO

A palavra fogo deriva do latino “focu” e é sinónimo de luz, vida, amor, esperança, coragem e força.
Em Os Lusiadas de Luís Vaz de Camões o elemento fogo encontra-se em praticamente todos os cantos, nem sempre transmitido de uma forma concreta e implícita.
Na obra este elemento é maioritariamente utilizado em metáforas onde se contrasta e compara os acontecimentos com o fogo. Somos constantemente exaltados pelo fogo de uma forma simbólica.
O elemento fogo simboliza toda a coragem e esperança que os nossos herois Lusos tiveram ao seguir rumo à Índia, não tendo rota definida e conhecendo os perigos que o mar lhes traria. Tiveram coragem para enfrentar e vencer os seus medos, tempestades e monstros (gigante Adamastor) , conseguiram com toda esta fogosidade conquistar uma nação e fazer com que esta se orgulhe de todos os seus herois.
Fogo representa também o amor incomparavel, eterno, incondicional, mas com um final triste e fatal entre D. Pedro e Inês de Castro. É discrito um amor fogoso, um amor a sério, um amor verdadeiro, nunca antes discrito. Nesta cena conseguimos perceber a verdadeira grandeza do fogo, a verdadeira grandeza de uma mãe que implora ao Rei com uma profunda e fogosa mágua, que não seja morta, para que não abandone os seus filhos. A chama ardente, o coração desesperado traduzem vários sentimetos para os quais o fogo consegue ser sinónimo.
Outro exemplo onde encontramos este elemento é na Batalha de Ourique em “Ele, adorando o que lhe aparecia ”, “Na Fé todo inflamado assi gritava:”. D. Afonso Henriques gritava inflamado, cheio de vontade, coragem, força e amor à nação.
O fogo está representado tanto de uma maneira explicita como ímplicita; existem várias formas de intrepertação mas todas elas têm como base a coragem para lutar por uma nação, a vontade de viver, ir além do inalcansável, enfrentar perigos e guerras sempre com a ânsia de vencer.
Contudo, o fogo está presente em toda a obra adaptando-se aos vários acontecimentos.
Para que toda a bra tenho sido escrita com tanta fogosidade o poeta tem certamente de ter em si o seu lado fogoso.
“A Hepopeia de Luís de Camões é toda ela um poeta fogoso.”
Afirmo isto pois para além de todo o simbolismo interno da obra, onde o elemento fogo se verifica com maior facilidade é na maneira como o poeta escreveu a obra. Está presente que Luís de Camões pretendia exaltar o universo, glorificar os herois Lusos e afirmar a dimensão da Nação Portuguesa.
O poeta escreve versos como “Mais do que prometia a força humana”, “Cantando espalharei por toda a parte ”, “Cessem do sábio Grego e do Troiano”. Nestes versos percebemos toda a força, vontade, a vida de uma nação, num tom hiperbólico criado pelo poeta afirmando que aquilo que escrev tem muito mais “chama” que todas as outras Hepopeias.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Que, da Ocidental praia Lusitana











Texto relativo ao primeiro periodo mas que decidi postar.

"Que, da Ocidental praia Lusitana” – Proposição, 1ª estrofe, 2º verso

Enquanto percorria a curta distância entre o padrão dos descobrimentos e a torre de Belém, olhava para o Tejo e recordava as grandes glórias do povo Português e tentava perceber qual a importância da existência de tais monumentos, decidi sentar-me à beira rio e olhar a longínqua linha imaginária que separa os homens dos deuses. Sem perceber à primeira que era para mim ouvi uma voz jovem e meiga que com alguma arrogância me perguntou se tinha lume. Não respondendo, olhei-o nos olhos e percebi que aquele pobre rapazinho precisava de alguém; alguém que lhe explicasse que a vida tem sentido e pedi-lhe que se sentasse por dois segundos. Sentou-se, mas ficou calado a cada pergunta que lhe fazia, a unica resposta que me deu foi que já não gostava da escola e que ninguem lhe dava valor.
Fiquei calado por momentos, mas rapidamente esse bloqueio me passou, decidi que era a minha oportunidade de perceber qual a importância daqueles monumentos. Foi então que lhe disse: que, da Ocidental praia Lusitana se tinham lançado ao desconhecido bravos marinheiros como ele. Gente que ultrapassou perigos e guerras esforçadas, sempre com a confiança de que iriam alcançar o ainda indefinido caminho marítimo para a Índia. Que os marinheiros acreditaram na mitologia, mas que acima de tudo a verdadeira coragem estava dentro deles, dentro daquele bravo povo que dentro das naus de Leiria rumou para o incerto com a vontade e a garra de honrar a pátria. Disse-lhe que várias almas foram perdidas, mas que tudo tinha um propósito, um objectivo traçado ao qual a unica resposta possivel era a vitória.
Estranhamente o rapaz, deu-me um abraço e sussurou um tímido obrigado no meu ouvido; levantou-se e com convicção lançou o cigarro que segurava entre os dedos para o Tejo. Correu até eu o perder de vista.
Não percebi ao certo se o rapaz tinha percebido o que lhe quis explicar com toda aquela conversa “estranha”, mas fiquei tranquilo por te-lo feito ver que o seu caminho não era o correcto...