quinta-feira, 31 de maio de 2012

Para uma longa viagem, uma noite sem dormir


Era terça-feira à noite, depois de uma curta passagem pela praça para um café, Joel deitou-se cedo. Foi subitamente acordado por alarmantes risos que por momentos o irritaram e o levaram a um cigarro na pensativa varanda. Os incómodos barulhos desvaneceram e o descanso voltou a estar em frente a Joel.  Apesar de cansado, este não o aproveitou. Deitando-se na cama, ajeitou a almofada como que se fosse dormir mas pensamentos repentinos tomaram conta do que a fadiga corporal pedia. Contrariou o sono, colocou de lado a remota possibilidade de assistir às conferências que se iriam realizar na manhã seguinte e deixou-se levar pelo sonho que o motiva para realizar a sua rotina. A viagem, a tal viagem que o faz questionar-se diariamente. Um ano, seis meses, com ou sem destino, acompanhado por muitos, acompanhados por poucos; tudo isso é elementar. Por agora, o maior desafio é o como a conseguir realizar.
   Divagando sobre esquemáticas que envolveram desde malas que desciam de autocarros da rede expresso até blocos de rifas sujos e intervenções perante turistas excêntricos, Joel tentava chegar a conclusões. Quatro horas, mil planos. Nenhum deles foi válido nem suficientemente inteligente para que alguém se interessasse por um sonho de um miúdo. Joel começava a acreditar que a desistência e o encostar da cabeça na superfície que o leva ao sono seriam a melhor ideia que ele poderia ter naquela noite.
Subitamente algo inesperado, estúpido, sem nexo e extravagante lhe passou pela cabeça. Habituado à frustrante utilização de tecnologia, redes sociais e troca de conteúdos por uma rede que nem sequer se percebe como funciona de facto, o rapaz conseguiu surpreender-se não só pela a ideia que estava a ter, mas também pelo notável afastamento de todo aquele ambiente computacional sufocante que o rodeia.