
Nem miscaros, nem cogumelos, nem frades. Um sotão, tascas e amigos. Tendo por base um jantar dos que eu gosto, isto é, onde a indiscrição e a subtileza podem actuar, arrancámos. A paz instalasse mal o carro pára o movimento das rodas. O ar mudou, está mais fresco, a bateria acabou e nem vontade tenho para o telemóvel ir carregar. Concretamente não sei o significado de "paz de espírito", mas sem saber, era o que sentia. Nada mais me passou pela cabeça senão que não se passasse mesmo nada. Observava cada coisa como se a estivesse a ver pela primeira vez e repetia este gesto consecutivamente sem alguma vez, até me vir embora, me cansar. Onde é que estava? No sitio onde se o design não me levar a nada, irei estar. Há já alguns dias que a vontade de escrever era inexistente, hoje também não a tenho, mas escrevo. E porque? Porque desta vez, não me interrogo nem coloco perguntas complicadas, apenas sinto e escrevo.
Estamos bem "Correia", era o que pensava cada noite que na tasca do Páteo me sentava. Contei dezanove duas vezes, os "Portos" não os contei porque foram muito rápido. Três garrafas de água com açucar e um vómito ainda vísivel no dia da partida. Muito bem, o Nando não alcançou o que quiz dizer, e o rapaz da linguagem gestual para maiores de dezoito também teve o seu mérito. Marta Reis e as amigas também estiveram presentes com o seu inconfundivel charme.
Charme? Beleza? Saude? Amigos?
Coloco estas e mais questões pois nunca são poucas as perguntas que nos pomos a nós próprios, por vezes ainda levam a mais perguntas e a mais e mais, o que nos faz ficar com a cabeça cheia delas, o que por vezes nos pode levar a pensar em coisas que nunca sonhávamos pensar!
Mas estas coisas acontecem e com a ajuda dos amigos tudo se resolve e ai vemos que afinal estas perguntas não foram em vão, ai nos apercebemos que através destes momentos, crescemos e que aprendemos a lidar com os nossos problemas, e sabem o que ainda é melhor no meio de tudo isto? É saber que temos amigos dispostos a ajudarem-nos em tudo aquilo que precisamos!
Meu puto diz o que tens a dizer.
A maneira como nos expressamos revela muito sobre a nossa personalidade, colóca-nos um rótulo sobre aquilo que realmente somos. O engraçado é que todos os rótulos podem ser quebrados e a maneira de expressar também. Voltando ao Alcaide "MEU PUTO", obrigado.
Agora que cheguei às Caldas e já pus o telefone a carregar volto à rotina. Disiludido por a esta ter que voltar? Não. É nesta que se resolvem e ultrapassam os grandes/pequenos "problemas".
In Caldas, Francisco Correia & Miguel Rosa, 2010
